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De Redenção pro mundo: Erni conquista vice-campeonato mundial de karatê pela WKA 2026

Em entrevista ao Gazeta Carajás, atleta detalha conquista e trajetória no esporte

De Redenção pro mundo: Erni conquista vice-campeonato mundial de karatê pela WKA 2026
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O atleta Erni Soares de Azevedo Júnior, de Redenção, conquistou o vice-campeonato no Campeonato Mundial de Karatê da World Karate-Do Alliance (WKA) 2026, realizado entre os dias 24 e 29 de março, em Malta, na Europa. Representando o Brasil, ele garantiu o segundo lugar nas categorias kumite individual e kumite por equipe, em uma competição que reuniu atletas de alto nível de diversos países.

Professor de educação física, formado em biologia e mestre na área, Erni também é mestre em capoeira e desenvolve um trabalho social relevante no município. Ele integra a Associação Cultural Esportiva de Redenção, que atende cerca de 150 a 170 crianças em projetos distribuídos em seis polos, utilizando o esporte como ferramenta de transformação social. No karatê, já soma títulos importantes, como campeão brasileiro e da Copa do Brasil na modalidade shotokan.

A seguir, confira a entrevista concedida pelo atleta à reportagem:

Gazeta Carajás: Comente sobre esse momento. O que representa para você conquistar o vice-campeonato mundial na WKA 2026?

Erni: É a convergência de muita atividade, muita dedicação e muita renúncia. A gente acaba abrindo mão de várias coisas da vida pessoal para conseguir se manter como atleta. Eu tenho 43 anos e disputo com atletas bem mais jovens, então preciso estar sempre treinando e cuidando do corpo, que não é uma máquina. Esse resultado representa todo esse esforço ao longo do tempo. O vice-campeonato mundial é um objetivo concluído dentro desse momento, e agora a gente já começa a projetar os próximos desafios.

GC: Quais foram as categorias em que você competiu e conquistou os resultados? Foi tanto no individual quanto por equipe?

E: Eu participei do open internacional, que é aberto para todos os atletas, e também do mundial, que é mais restrito, voltado apenas para quem se classificou nos campeonatos nacionais. Eu me classifiquei como campeão brasileiro e fui convocado pela seleção. No open não tive bons resultados, tanto no kata quanto no kumite. Já no mundial, que é o mais difícil, consegui o segundo lugar no kumite individual e também no kumite por equipe. O nível é muito alto, porque reúne apenas campeões representando seus países.

GC: Você representou o Brasil na competição. Como foi carregar essa responsabilidade em um evento mundial?

E: Sobre a responsabilidade, posso dizer que, a nível de Brasil, ela não recai diretamente sobre nós, até porque não somos faixa preta, que é o mais alto grau dentro da modalidade. Mas, como atleta e como alguém que busca resultado, eu mesmo me coloquei essa cobrança. Quis provar para mim que tenho capacidade de competir de igual para igual com atletas mais experientes, e conseguimos mostrar isso dentro do tatame. Fomos respeitados, lutamos bem e até vencemos atletas faixa preta. Então, essa responsabilidade acaba sendo mais local e pessoal. É como se eu tivesse que provar para mim mesmo, para a federação e para a minha cidade que sou um bom atleta. Eu me cobro muito nesse processo.

GC: Como foi a preparação para o campeonato e quais foram os principais desafios enfrentados durante a competição?

E: A preparação foi intensa dentro da realidade que a gente tem. Muitos atletas vivem o karatê 24 horas por dia, e não é o meu caso. Eu tenho outras atividades profissionais, então precisei organizar um período específico para treinar. Trabalhei muito a parte mental, além da preparação física e da alimentação. O maior desafio foi justamente conciliar tudo isso e ainda conseguir chegar competitivo em uma competição de nível mundial.

GC: E vindo de Redenção, como você avalia a importância dessa conquista para a sua cidade e quais são os próximos desafios na sua carreira?

E: Eu acredito que essa conquista mostra que Redenção tem atletas de alto nível. Hoje posso dizer que estou entre os melhores da minha categoria no mundo, e isso precisa ser reconhecido como fruto de muito trabalho. Minha carreira como atleta não deve ser muito longa, talvez mais dois ou três anos, mas quero aproveitar esse tempo para abrir caminhos. Meu maior desafio agora não é só competir, é levar uma equipe comigo, formar novos atletas e fortalecer ainda mais o esporte no município.

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Eric Vaccaro

Publicado por:

Eric Vaccaro

Eric é repórter, redator e estudante de Jornalismo, com atuação voltada à cobertura local na região de Carajás.

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