A indicação do advogado Vinícius Borba para comandar a Secretaria de Meio Ambiente do Pará colocou um representante das demandas ruralistas no centro das decisões do futuro governo Daniel Santos. A reeleição de Lula, porém, impõe um limite político à expectativa de flexibilização: o grupo terá espaço na gestão estadual, mas continuará precisando lidar com um governo federal cuja orientação ambiental tem sido alvo de suas críticas.

Conhecido como “advogado do agro”, Borba construiu sua atuação defendendo produtores e contestando multas, embargos e dificuldades de regularização. Em entrevista à Gazeta do Povo, defendeu reconhecer a situação de propriedades já ocupadas: “aceita do jeito que está e dá escritura para esse cara”. Também questionou a atuação de Marina Silva e de organizações ambientais. Suas posições revelam uma cobrança por mudanças na forma como o poder público trata essas áreas, embora jamais tenha se posicionado publicamente a favor do desmatamento ilegal.

A reeleição de Lula pesa nos planos do agro paraense. A Semas decide os licenciamentos de sua competência, mas uma licença estadual não impede, por si só, a atuação federal diante de irregularidades e de omissão ou insuficiência da fiscalização responsável. No garimpo, atividade distinta da agropecuária, há ainda outra exigência: a permissão de lavra depende da Agência Nacional de Mineração e não pode ser substituída por uma autorização ambiental estadual.

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Porém, o próprio Vinícius Borba já havia falado que, mesmo uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, não representaria “carta branca” para desmatamento ou garimpo ilegal. Com Lula reeleito e o planejamento federal mantendo ações de combate ao desmatamento, a perspectiva é de negociação e possível disputa entre orientações diferentes.

Para o segmento ruralista que apostava numa mudança mais ampla, o resultado deixa um recado: ter um aliado à frente da Semas amplia o acesso ao governo, mas não transforma expectativa política em licença para atuar.