Manter dinheiro disponível para pagar fornecedores, funcionários e outras despesas continua sendo um dos principais desafios enfrentados pelos empresários brasileiros. Em um cenário de juros elevados e crédito bancário caro, a antecipação de recebíveis surge como uma alternativa para empresas que venderam a prazo, mas precisam dos recursos antes da data prevista.

Em entrevista, Érico Sartório, proprietário da MS Recebíveis, explicou que a operação permite ao empresário receber antecipadamente valores de vendas que já foram realizadas. Diferentemente de um empréstimo tradicional, portanto, a empresa não está solicitando um dinheiro completamente novo, mas antecipando recursos que teria para receber no futuro.

“Primeiro, não é uma dívida. Você antecipa aquilo que já é seu”, resume Sartório. Na prática, a empresa apresenta os recebíveis, passa por uma análise e recebe o valor antecipadamente, com o desconto da taxa cobrada pela operação, conhecido como deságio.

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Segundo o empresário, uma das vantagens das companhias especializadas é a possibilidade de oferecer atendimento mais próximo e personalizado. Para Sartório, enquanto os bancos trabalham com análises mais padronizadas, securitizadoras e fundos de investimento em direitos creditórios, os chamados FIDCs, podem conhecer melhor a operação de cada cliente.

“As empresas de recebíveis estão mais próximas e conseguem compreender melhor o negócio. Essa proximidade gera confiança, que se reflete em crédito e flexibilidade”, afirma. Sartório ressalta, entretanto, que algumas operações também podem depender de limites, análise de crédito ou garantias, conforme as condições e os riscos envolvidos.

Quando vale a pena antecipar?

Um empresário que vendeu R$ 100 mil, mas receberá o valor ao longo dos próximos meses, pode antecipar parte desse dinheiro para comprar mercadorias à vista e negociar descontos com fornecedores. Os recursos também podem ser utilizados para reforçar o estoque, ampliar as vendas ou aproveitar oportunidades de investimento e expansão.

Antes de decidir, porém, é necessário fazer as contas. O empresário precisa comparar o custo da antecipação com o retorno que poderá obter utilizando o dinheiro. Se a taxa cobrada couber dentro da margem de lucro e o recurso permitir aumentar o faturamento, a operação pode ser vantajosa.

“A pergunta que deve ser feita é: onde vou obter mais faturamento com esse dinheiro? Se a empresa não tem caixa para crescer e o deságio cabe dentro da margem de lucro, a antecipação pode permitir que ela venda e lucre mais”, explica Sartório.

A ferramenta também pode corrigir o chamado descasamento de caixa. Isso acontece quando uma empresa precisa pagar suas despesas imediatamente, mas só receberá pelas vendas semanas ou meses depois. Ao antecipar os recebíveis, ela consegue aproximar a entrada do dinheiro da data de vencimento de suas obrigações.

Planejamento evita problemas futuros

Embora possa reforçar o caixa, a antecipação não deve ser realizada sem controle. Se a empresa antecipar continuamente tudo o que teria para receber nos meses seguintes, poderá ficar dependente da ferramenta e comprometer receitas futuras. Por isso, Sartório aponta o planejamento financeiro e a boa gestão como fundamentais.

O empresário também chama atenção para o split payment, mecanismo da reforma tributária que separará automaticamente a parcela dos tributos no momento da liquidação do pagamento. Na avaliação dele, a mudança exigirá ainda mais cuidado com o fluxo de caixa. A implementação será gradual e a plataforma pública destinada à operação continua em desenvolvimento pelos órgãos responsáveis. O Comitê Gestor do IBS já divulgou avanços técnicos do sistema.

Para Sartório, empresários que precisam de capital não devem analisar somente as linhas tradicionais dos bancos. A recomendação é conhecer as alternativas oferecidas pelo mercado de capitais, comparar taxas, condições e riscos e procurar instituições capazes de entender as necessidades do negócio.

Fundada em 2016 como MS Factoring, a empresa passou a atuar, em 2021, como MS Companhia Securitizadora. Atualmente, oferece operações relacionadas a direitos creditórios em todo o país. Segundo a companhia, a mudança teve como objetivo ampliar as soluções financeiras e oferecer condições mais competitivas aos clientes.