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A mineração movimenta bilhões de reais no Sul e Sudeste do Pará, mas parte da população ainda convive com desigualdade, conflitos pela terra e dificuldades de acesso aos serviços públicos. É a partir dessa contradição que Pablo Neri, o Pablo do MST, apresenta sua candidatura a deputado estadual pelo PT, defendendo que as riquezas retiradas da região também sejam convertidas em empregos, oportunidades e melhores condições de vida para os trabalhadores.
Homossexual, de esquerda e integrante da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Pablo reúne características pouco comuns entre os representantes políticos da região. Sua candidatura busca levar à Assembleia Legislativa a experiência construída nos assentamentos, nas organizações populares e nas mobilizações das comunidades atingidas pelos grandes projetos econômicos.
Morador de Parauapebas desde a infância, Pablo foi criado no assentamento Palmares II. Filho de militantes, iniciou ainda jovem sua atuação comunitária, passando pela rádio de Palmares, pelo conselho escolar do assentamento e pela direção estadual da Juventude do MST.
Historiador e educador popular, ele também cursa mestrado em Planejamento e Desenvolvimento Urbano pela Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará. Pablo participou da fundação do Levante Popular da Juventude no estado e da construção da Juventude Atingida pela Mineração, iniciativa que contribuiu para o surgimento do Movimento pela Soberania Popular na Mineração.
Essa ligação direta com Parauapebas coloca a atividade mineral no centro de sua atuação. Pablo defende que os municípios mineradores não sejam apenas territórios de extração, mas tenham políticas capazes de gerar desenvolvimento, diversificar a economia e proteger as comunidades afetadas pelas operações.
Nas redes sociais, o candidato também se posiciona a favor da reforma agrária, da participação popular, da educação, da preservação ambiental, da redução da jornada de trabalho e da taxação dos mais ricos. Ele critica a criminalização dos movimentos sociais e medidas que possam retirar direitos dos trabalhadores rurais e das populações tradicionais.
Ao assumir publicamente sua orientação sexual, Pablo também amplia a presença da população LGBTQIA+ em uma disputa política regional ainda marcada por estruturas conservadoras. Sua candidatura combina a defesa dos trabalhadores com a representação de grupos que historicamente tiveram pouca participação nos espaços de poder.
A trajetória de Pablo do MST nasce fora dos grupos políticos e econômicos tradicionais. Ela parte dos assentamentos, das mobilizações sociais e das comunidades atingidas pela mineração. É essa origem que sustenta sua tentativa de se consolidar como uma voz de esquerda do Sul e Sudeste do Pará dentro da Assembleia Legislativa.
Publicado por:
Kleysykennyson Carneiro
Editor-chefe do Gazeta Carajás. Com mais de 15 anos de atuação no jornalismo, sua trajetória inclui passagens por televisão, assessoria institucional e direção de grandes eventos.
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