O professor de literatura Abílio Pacheco de Souza, da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), é um dos vencedores do Prêmio Egresso Destaque Unicamp 2026. Ele foi escolhido pelo Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) na categoria pós-graduação. Em sua quarta edição, a premiação reconhece 35 ex-alunos pela atuação acadêmica, profissional ou pelo impacto social do trabalho desenvolvido após a formação. A entrega dos certificados está prevista para 9 de dezembro, em Campinas (SP).

Abílio chegou a Marabá aos oito anos e fez na cidade a maior parte da sua formação escolar, com passagem pela Escola Gaspar Vianna. Trabalhou como eletricista e bibliotecário antes de seguir a carreira acadêmica. Cursou Letras no então campus da Universidade Federal do Pará (UFPA) em Marabá, fez mestrado em Belém e ingressou como professor da UFPA em Bragança, em 2009. Durante o doutorado na Unicamp, também passou um ano e quatro meses na Universidade Livre de Berlim, na Alemanha.

Em dezembro de 2020, meses depois de defender a tese, o professor voltou a trabalhar em Marabá, dessa vez na Unifesspa. Desde então, publicou e organizou livros, orientou estudantes de mestrado e de iniciação científica e coordenou o Programa de Pós-Graduação em Letras. Também colabora com o Programa de Pós-Graduação em Linguística e Literatura da Universidade Federal do Norte do Tocantins, em Araguaína.

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A literatura produzida na Amazônia ocupa um lugar central nas pesquisas do professor. Entre os autores que ele cita está o poeta Ademir Braz, cuja obra traz ruas, bairros e rios conhecidos de quem vive na região. Para Abílio, encontrar esses lugares na poesia ajuda os estudantes a perceber que a própria experiência também pode virar literatura. Na Unifesspa, ele coordena o Laboratório de Estudos de Resistência e Teoria do Testemunho, que reúne alunos para discutir leituras e desenvolver pesquisas.

Em entrevista ao Correio de Carajás no mês passado, Abílio destacou ainda o papel das bolsas de iniciação científica para aproximar os estudantes da pesquisa. Um dos projetos dos quais participou, aprovado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), garantiu duas bolsas para alunos da graduação. Ao falar sobre a homenagem da Unicamp, o professor ressaltou a ligação entre o prêmio e o trabalho que desenvolve no Pará. “Essa premiação é também para um sujeito da Amazônia”, afirmou.