Uma britânica de 44 anos sofreu insuficiência hepática aguda e graves danos cerebrais após consumir diariamente um suplemento de bem-estar que conheceu no TikTok. Lois Kinder, casada e mãe de dois filhos, começou a utilizar gomas de ashwagandha em julho de 2025, buscando relaxamento e alívio de sintomas associados à perimenopausa.

O produto, comercializado como suplemento alimentar, contém ashwagandha, uma planta utilizada em preparações tradicionais e divulgada nas redes sociais por seus possíveis efeitos sobre o estresse e o sono.

Segundo o relato da família, Lois consumia uma goma todas as manhãs, após o café da manhã. O suplemento era vendido no Reino Unido por cerca de cinco libras, valor equivalente a aproximadamente R$ 33, conforme a cotação mencionada na publicação original.

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Primeiros sintomas foram confundidos com virose

No início de julho de 2026, Lois procurou atendimento médico após apresentar vômitos e sinais de icterícia, caracterizada pelo amarelamento da pele e da parte branca dos olhos.

Inicialmente, ela acreditava estar com uma virose. Durante a consulta, o médico solicitou exames de sangue e uma tomografia para investigar a condição do fígado.

O marido, Oliver Kinder, relatou que a esposa dizia se sentir mais relaxada após consumir as gomas.

A situação, porém, se agravou poucos dias depois.

Filha encontrou a mãe desacordada

Em 13 de julho, a filha mais velha do casal, Imogen, de 19 anos, encontrou Lois desacordada no sofá de casa. A jovem percebeu que a mãe não havia acordado o irmão, Jacob, de 15 anos, para ir à escola.

Lois foi levada às pressas para o hospital, onde os médicos identificaram um quadro de insuficiência hepática aguda, condição grave em que o fígado perde rapidamente a capacidade de desempenhar funções essenciais.

Diante da gravidade do caso, ela foi colocada em coma induzido. Três dias depois, foi transferida para a Unidade de Terapia Intensiva Hepática do Hospital Queen Elizabeth, em Birmingham, referência britânica no tratamento de doenças graves do fígado e na realização de transplantes hepáticos de emergência.

Caso chama atenção para riscos de suplementos

O episódio reforça a importância de avaliar a segurança de suplementos divulgados nas redes sociais, mesmo quando são apresentados como produtos naturais.

Embora a ashwagandha seja utilizada em diferentes preparações, há relatos de lesões hepáticas associadas ao seu consumo. Isso não significa que todo produto que contenha a planta provoque danos ao fígado, mas evidencia que suplementos também podem apresentar riscos e interações.

No Brasil, a comercialização e o uso de produtos contendo ashwagandha estão sujeitos às regras sanitárias da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A situação regulatória deve ser verificada diretamente nos canais oficiais do órgão.

O caso de Lois Kinder serve de alerta para que consumidores não utilizem suplementos por conta própria e procurem orientação de profissionais de saúde antes de iniciar o consumo.