Marabá, no sudeste do Pará, deixou de ser um dos principais destinos migratórios da região Norte. Segundo dados divulgados pelo IBGE na última sexta-feira (27), o município registrou uma queda de 53% no número de moradores vindos de outras cidades entre os anos de 2010 e 2022.
Em 2010, o Censo contabilizou 13.894 pessoas residindo em Marabá que haviam nascido em outros municípios. Já em 2022, esse número caiu para 7.372 — uma diferença de 6.522 pessoas a menos.
Historicamente conhecido por atrair migrantes devido à sua localização estratégica e à geração de empregos nos setores de mineração, comércio e construção civil, Marabá tem enfrentado uma mudança na dinâmica migratória. O município, que já foi considerado porta de entrada para quem buscava trabalho e qualidade de vida no Pará, perdeu parte de sua atratividade na última década.
Especialistas apontam que o crescimento de cidades do Centro-Oeste e Sul do país — especialmente impulsionado pelo agronegócio — pode ter influenciado essa mudança. Estados como Mato Grosso, Goiás e Santa Catarina apresentaram saldo migratório positivo, atraindo mão de obra e investimentos enquanto cidades da Região Norte, como Marabá, enfrentam desafios estruturais.
Entre os principais entraves estão a pressão sobre os sistemas de saúde e educação, infraestrutura urbana defasada e ausência de políticas públicas mais robustas para acolhimento e integração de migrantes.
Outras cidades do sudeste paraense também apresentaram mudanças no perfil migratório. Parauapebas, por exemplo, viu o número de migrantes cair de 24.051, em 2010, para 19.439 em 2022 — redução de 4.612 pessoas.
Na contramão, Canaã dos Carajás segue crescendo. Em 2010, a cidade tinha 3.277 moradores vindos de outros municípios. Doze anos depois, o número saltou para 8.135, um saldo positivo de 4.858. O avanço está diretamente ligado à expansão da atividade mineradora, com destaque para os grandes projetos da Vale, que têm impulsionado a economia e atraído novos moradores em busca de oportunidades.
A queda no número de migrantes em Marabá pode representar não apenas um freio no crescimento populacional, mas também um reflexo das novas rotas de desenvolvimento econômico no Brasil, onde cidades menores, porém altamente produtivas, vêm ganhando espaço no mapa da mobilidade interna.
Fonte/Créditos: Com Correio de Carajás e Estadão
Comentários: