O que deveria ser um período de lazer nas praias de Marabá tem se transformado em motivo de apreensão. Com a chegada do verão amazônico, o uso de linhas de pipa com cerol — uma mistura cortante feita com cola e vidro moído — volta a representar um perigo silencioso. O material, proibido por lei, já causou ferimentos e assustou moradores da cidade, especialmente os que frequentam a Praia do Tucunaré.
Na última terça-feira (1º), uma criança de apenas três anos foi atingida no pescoço por uma linha com cerol enquanto brincava na areia da praia. O relato foi feito pela mãe do menino, Ana Gabrielle Dias, que testemunhou o momento em que o filho correu de volta para ela, sentindo dor e puxando a linha que havia causado um corte leve no pescoço.
“Se ele não tivesse puxado a linha na hora, o corte poderia ter sido muito mais grave”, contou Ana, que fez um apelo público às autoridades para reforçar a fiscalização, especialmente neste período de férias escolares.
O caso não é isolado. Em outro episódio recente, uma mulher grávida, que pilotava uma moto em Marabá, sofreu cortes profundos nos dedos ao ser atingida por uma linha com cerol. Os acidentes com esse tipo de material são comuns em todo o país e, muitas vezes, fatais — principalmente para motociclistas e ciclistas.
O cerol é composto por cola e materiais cortantes como vidro moído, pó de ferro ou quartzo. Já a chamada “linha chilena”, produzida industrialmente, é ainda mais perigosa, por conter pó de quartzo e óxido de alumínio, aumentando o poder de corte. Quando há adição de pó de ferro, a linha passa a conduzir eletricidade, elevando o risco de choques fatais.
No Pará, a fabricação, venda, armazenamento e uso de linhas com cerol ou outros materiais cortantes são proibidos pela Lei Estadual nº 9.597/2022. A legislação prevê multas, e em caso de menor de idade, a responsabilidade recai sobre pais ou responsáveis. Comércios flagrados vendendo o produto também são penalizados e podem ter a inscrição estadual cancelada em caso de reincidência.
Em Marabá, a Lei Municipal nº 17.942/2019 também proíbe o uso da linha cortante. A Guarda Municipal intensifica a fiscalização durante os períodos de férias escolares, quando o número de ocorrências costuma aumentar.
Apesar das leis em vigor, a prática continua sendo registrada com frequência. O caso da criança ferida reacende o alerta para a importância da fiscalização e da conscientização social. “É preciso que todos — autoridades, pais e jovens — entendam que essa brincadeira pode matar”, desabafa Ana Gabrielle.
Fonte/Créditos: Correio
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