O Instituto Butantan vai produzir no Brasil o pembrolizumabe, um medicamento de imunoterapia indicado para o tratamento de cerca de 40 tipos de câncer. A iniciativa faz parte de uma parceria entre o Ministério da Saúde, o Butantan e a farmacêutica MSD, anunciada em março de 2026, que prevê a transferência de tecnologia para fabricação nacional do medicamento e a possibilidade de ampliar o acesso ao tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Atualmente, o pembrolizumabe é utilizado principalmente na rede privada e tem acesso limitado no sistema público devido ao alto custo. A produção nacional poderá contribuir para reduzir as despesas e facilitar a oferta da terapia a mais pacientes, embora a ampliação do uso no SUS também dependa de decisões sobre financiamento e incorporação da tecnologia.

O medicamento já possui aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e está entre as imunoterapias utilizadas no tratamento de diferentes tumores. A indicação depende do tipo de câncer, das características da doença e das condições clínicas de cada paciente.

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Como funciona a imunoterapia contra o câncer?

Diferentemente da quimioterapia convencional, que atua diretamente sobre as células que se multiplicam rapidamente, a imunoterapia estimula o sistema imunológico a reconhecer e combater as células cancerígenas.

O pembrolizumabe atua bloqueando a proteína PD-1, presente em células de defesa do organismo. Alguns tumores utilizam mecanismos relacionados a essa proteína para escapar da resposta imunológica. Ao bloquear essa interação, o medicamento pode ajudar o sistema imunológico a identificar e atacar as células tumorais.

Os resultados variam conforme o tipo de câncer, as características do tumor e a resposta individual ao tratamento. Em determinadas situações, a imunoterapia pode aumentar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida, mas não representa uma cura garantida para todos os pacientes.

Apesar de possuir registro na Anvisa, o pembrolizumabe não está disponível pelo SUS para todas as indicações aprovadas no Brasil. Segundo as informações divulgadas sobre a parceria, o uso da terapia na rede pública está incorporado para situações específicas, como o melanoma avançado, enquanto outras indicações dependem de avaliações técnicas e econômicas.

A incorporação de novos tratamentos ao sistema público considera fatores como eficácia, segurança, custo e impacto financeiro para o orçamento da saúde.

Na rede privada, o preço elevado é um dos principais obstáculos à ampliação do acesso. O tratamento pode alcançar valores expressivos, dependendo da dose, da frequência das aplicações e do tempo de utilização, o que dificulta sua oferta em larga escala no sistema público.

O acordo entre o Instituto Butantan e a MSD prevê a transferência de tecnologia ao longo de até dez anos para viabilizar a fabricação nacional do pembrolizumabe.

A expectativa é que a produção brasileira ajude a reduzir custos e fortaleça a capacidade nacional de fabricar medicamentos de alta complexidade. No entanto, a fabricação no país não significa que todas as indicações do medicamento serão disponibilizadas imediatamente pelo SUS.

A ampliação do acesso dependerá das etapas de transferência tecnológica, da capacidade de produção e das decisões do Ministério da Saúde sobre a oferta e o financiamento do tratamento.

A iniciativa integra os esforços para ampliar a produção nacional de medicamentos estratégicos e reduzir a dependência de produtos importados, especialmente em áreas de alta complexidade, como a oncologia.