Enquanto a COP30, marcada para novembro em Belém, trará investimentos históricos para a região Norte, setores do sul e sudeste do Brasil demonstram um claro incômodo com a escolha.
A imprensa destas regiões tem dedicado um precioso tempo de suas programações para destacar problemas históricos em Belém, problemas gerados pela falta de investimentos do Governo Federal na região. Ao atacar tanto Belém, a imprensa daquela região expõe um amargor sulista, um incômodo gerado por quem teve que descer do seu lugar de privilégio e ver o Pará protagonizar no mundo.
Os sulistas e sudestinos estão incomodados com a COP da Amazônia. Parece que a proximidade do evento trouxe a eles a noção do que a conferência representa e de como seu legado é importante para o lugar em que acontece. O despeito é um lugar natural e a arma passa a ser o ataque.
Histórico de abandono
O Pará, porta de entrada da Amazônia, teve seus últimos megaprojetos de impacto econômico e social ainda na década de 1970: a construção da rodovia Transamazônica e da Usina Hidrelétrica de Tucuruí. Desde então, enquanto Rio de Janeiro sediou Jogos Pan-Americanos (2007), Copa do Mundo (2014) e Olimpíadas (2016), e outras cidades do sul e sudeste receberam bilhões em infraestrutura, o Norte seguiu como coadjuvante no orçamento nacional.
A COP30 e a virada de jogo
A conferência do clima em Belém não é apenas um evento ambiental – é uma chance de corrigir décadas de desigualdade. Os investimentos previstos em mobilidade, saneamento e tecnologia devem deixar um legado permanente para a população local. Mas, para alguns, parece que o incômodo está justamente aí: o dinheiro, pela primeira vez, não vai fluir para os mesmos lugares de sempre.
A quem interessa criticar o Norte?
O debate revela um viés geopolítico: por que eventos no eixo Rio-São Paulo são vistos como "naturais", mas quando o Norte é escolhido, vira alvo de questionamentos? Enquanto o Sul e Sudeste temem perder protagonismo, moradores de Belém lembram que a COP30 é mais do que um evento – é o reconhecimento de que a Amazônia faz parte da solução e não o problema.
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