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Rondon do Pará: obra de matadouro municipal está abandonada

Obra iniciada por Adriana Andrade em março de 2021 deveria ter sido entregue em abril de 2022, mas está abandonada e longe de ser concluída. Matadouro seria fundamental para a economia de Rondon, mas segue sem previsões de conclusão

Rondon do Pará: obra de matadouro municipal está abandonada

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A caminhada pela obra do matadouro e frigorífico municipal de Rondon do Pará é de cortar o coração de qualquer um. Escondidas no meio do mato, estão as fundações do grandioso empreendimento: concreto, ferro, restos de tijolos e areia compõem o apocalíptico cenário de uma obra que jamais foi concluída e que está abandonada há bastante tempo.

A gestão de Rondon do Pará iniciou a construção do matadouro em março de 2021, quando a prefeita Adriana Andrade assinou a ordem de serviço autorizando a obra.  A empresa contratada era a NRF Construtora Eirelli LTDA, que começou a construir o tão sonhado empreendimento para o povo de Rondon.

A obra deveria ser concluída em abril de 2022, precisamente 387 dias após o seu início. O valor para a construção do matadouro, liberado através de emenda da deputada Elcione Barbalho, era R$ 461.816,76. Os recursos viriam da Caixa Econômica e da própria Prefeitura de Rondon do Pará.

Tudo ia bem até que, subitamente, as obras foram paralisadas e o silêncio se fez. Não havia mais trabalhadores, não havia mais serviços, não havia mais matadouro e frigorífico. A população começava a se perguntar o teria acontecido, já que se passavam os meses e os prazos não estavam sendo cumpridos.

Um ano e sete meses depois do prazo final para a entrega das obras, o cenário é desolador. Quem passa pelo local e consegue enxergar as fundações do matadouro no mato não consegue acreditar que a obra poderá sair do papel um dia. Até o rondonense mais otimista já perdeu as esperanças.

Fundamental para a economia e saúde pública

Rondon do Pará não dispõe de um matadouro e frigorífico municipal, desde que o Ministério Público embargou o antigo já que este não atendia às legislações vigentes. Os únicos dois matadouros existentes pertencem à iniciativa privada e nem todos os açougues, principalmente os de pequeno porte conseguem ter acesso por conta dos preços.

Sem um matadouro municipal, os pequenos empreendimentos acabam tendo menos competitividade diante dos grandes, que podem pagar à iniciativa privada para terem o gado abatido. Assim, a economia acaba prejudicada e todos os cidadãos perdem.

Tal situação acaba fortalecendo ainda a atividade clandestina de abatimento do gado, que não segue diretrizes sanitárias e representa um sério risco à saúde do consumidor final. A carne sem uma criteriosa política de abatimento e condicionamento pode perecer mais facilmente e fica imprópria para o consumo humano.

A resposta da Prefeitura de Rondon do Pará

A gestão foi procurada pela reportagem do Gazeta Carajás. Por meio de nota, a Procuradoria informou que o problema está na montagem do projeto, que foi feita pela antiga gestão. Segundo a prefeitura, a empresa foi contratada antes da Caixa Econômica aprovar o projeto da obra e liberar o recurso para tal.

A Procuradoria explicou que, por conta desta situação, a administração de Adriana Andrade teve que reiniciar todos os trâmites legais, licitação, entre outros. O contrato, afirma a Procuradoria, só foi assinado este ano e a Caixa Econômica cancelou o projeto, mas este será reiniciado, afirmam.

A reportagem questionou ainda o óbvio: se havia problemas, por que Adriana Andrade assinou a ordem de serviço para a obra?

A Procuradoria respondeu que o contrato foi assinado pela antiga gestão. A prefeita seguiu com ele e autorizou o início das obras. No entanto, ainda segundo a Procuradoria, quando o projeto chegou à Caixa Econômica foi observada a inconsistência, o que teria atrasado o serviço.

A Procuradoria afirmou ainda que as obras devem ser retomadas ainda em 2023.

O que Arnaldo Rocha tem a dizer

Ao ser indagado por nossa reportagem sobre o assunto do matadouro, o ex-prefeito Arnaldo Rocha relatou que a paralisação da obra nada tem a ver com sua gestão. A atual administração disponibiliza pelo Portal da Transparência do município informações sobre a construção do objeto citado.

O projeto se encontra datado em março de 2021 para realizar contratação de empresa especializada para a construção, informa ainda valores, datas de início e término da obra. “Houve assinatura de ordem de serviço em 2021, com aval da procuradoria do município e corpo técnico que compõe a atual gestão, e eu não faço parte”, responde Arnaldo.

Arnaldo relato ainda que é possível identificar nas redes sociais vídeos do esposo da prefeita junto com vereadores da situação, comemorando as obras e enaltecendo políticos. “Dessa forma ser prefeito se torna fácil, sempre colocando a culpa da má gestão em gestões anteriores” finalizou.

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Kleysykennyson Carneiro

Publicado por:

Kleysykennyson Carneiro

Editor-chefe do Gazeta Carajás. Com mais de 15 anos de atuação no jornalismo, sua trajetória inclui passagens por televisão, assessoria institucional e direção de grandes eventos.

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