Toni Cunha parece convencido de que toda crítica à sua gestão nasce da má vontade dos outros. Em suas redes, o prefeito de Marabá responde a adversários, acusa, ironiza e pede votos para a esposa, Lanúzia Cunha, candidata a deputada estadual. O que aparece bem menos é uma explicação clara sobre os projetos que ela defenderia na Assembleia Legislativa.

O tom não fica restrito à internet. Em um evento público, Toni chegou a chamar o próprio vice-prefeito de “Fofão”, “cara de bujão” e “cara de tabaco”, além de dirigir a ele outros impropérios. A cena diz muito sobre uma postura política em que discordar do prefeito parece ser motivo para virar alvo.

No sábado (26), Toni publicou uma mensagem chamando uma pessoa não identificada de “comprador de votos” e pediu apoio a Lanúzia. Não disse quem seria essa pessoa nem apresentou, na publicação, elementos para sustentar a acusação. Em outra postagem, falou em “robôs dos desesperados”. A gravação do perfil examinada pela Gazeta Carajás mostra ainda referências a “mentira” e “opressão”.

Leia Também:

É o jeito de fazer campanha que põe o prefeito no centro de tudo. Toni se apresenta como quem trabalha, acerta e enfrenta inimigos; quando há cobrança, a culpa costuma aparecer do outro lado. A discussão sobre os problemas de Marabá acaba soterrada por mais uma briga. E esses problemas também importam para a candidatura de Lanúzia, já que ela pede ao eleitor um voto de confiança apoiado no governo do marido.

Isso não significa que Lanúzia esteja fora da disputa. Ela conta com o capital político de Toni, deputado estadual até assumir a Prefeitura, com a visibilidade que o cargo de prefeito lhe dá em Marabá e com a força eleitoral do PL. Há um cenário político que pode ajudá-la a chegar à Alepa.

Toni pode continuar brigando com a oposição, com o vice e com quem mais contestar sua palavra. A pergunta que a ladainha ainda não respondeu é mais simples: se eleita, o que o casal Cunha fará pelo Pará?