Após mais de 30h acampados sobre os trilhos da Estrada de Ferro Carajás, trabalhadores do Movimento Sem Terra em Parauapebas foram obrigados, por ordem judicial, a liberar a ferrovia.  A ocupação aconteceu de 5h da manhã da quinta-feira (22) até as 19h de sexta-feira (23).

Além de repercutir na imprensa de todo o Brasil, a paralisação trouxe prejuízos milionários para a balança comercial do Pará e, claro, do país. Considerando um faturamento médio anual estimado em R$ 70 bilhões das produções de Carajás, estima-se que, a cada dia sem escoar sua produção, a Vale perca algo em torno de R$ 191 milhões – R$ 8 mi a cada hora.

Considerando as 30 horas sem o trem passar na linha férrea em direção a São Luís, cerca de R$ 250 milhões foram perdidos. Isso, claro, sem considerar os prejuízos do trem de passageiros, que deixou de transportar pessoas e, evidentemente, perdeu arrecadação.

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Mas quem está certo nessa queda de braço?

O Movimento Sem Terra alega que a Vale e o Governo Federal descumpriram prazos acordados em dezembro do ano passado. A principal reivindicação é a reforma agrária.

O grupo também culpa a mineradora e os grandes latifundiários por impactos ambientais e sociais na região.

Do outro lado, a Vale afirma que está cumprindo condicionantes, que respeita o acordo firmado com os trabalhadores e que está contribuindo para implementar ações conjuntas para contribuir com a regularização fundiária e reforma agrária.

A justiça, por sinal, entendeu que a ocupação era ilegal e determinou a desobstrução da ferrovia.

Em meio ao crescimento da mineração na região, cresce também o debate sobre os conflitos agrários no Pará. Uma disputa que parece longe de ter fim.