Quem viu na derrota de Hana Ghassan o fim da influência de Helder Barbalho fez a conta cedo demais. O ex-governador e senador eleito manteve de pé o palanque de Lula no Pará, enfrentou o desgaste da disputa e chegou ao encerramento da eleição ao lado do presidente reeleito. A derrota estadual permanece, mas o resultado de domingo muda o tamanho político de quem alguns já tentavam diminuir.

Lula passou de 2.427.237 votos no primeiro turno, ou 49,91% dos válidos, para 2.690.449 no segundo, alcançando 55,02%. Foram 263.212 votos a mais entre as duas votações. A diferença sobre Flávio Bolsonaro no Pará chegou a 490.509 votos. O crescimento não pode ser atribuído a uma liderança isolada, mas dá peso ao apoio sustentado por Helder durante a campanha.

Helder poderia ter usado o revés na disputa estadual como justificativa para recolher sua participação. Manteve, porém, a aliança e o compromisso com Lula. Gastou capital político quando o apoio exigia exposição e disposição para enfrentar críticas. Na leitura política desse resultado, sua fidelidade ganha valor justamente porque atravessou um momento difícil para o próprio grupo.

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A vitória oferece a Helder condições de reorganizar aliados no Pará e ampliar sua influência em Brasília. Com mandato no Senado e proximidade com o presidente, ele terá instrumentos para continuar participando das decisões que afetam o estado, mesmo com um adversário no comando do Executivo paraense. Para prefeitos, deputados e lideranças municipais, essa capacidade de interlocução conta muito.

A recompensa por essa fidelidade tende a aparecer em espaço político, acesso e participação nas negociações do próximo governo. Um eventual cargo depende de decisões que ainda serão tomadas, mas o fortalecimento da relação com o Planalto já representa um ganho.