A seleção do vereador Cleido Braz no Procampo, programa de incentivo à produção rural de Canaã dos Carajás, foi questionada por denunciantes que procuraram a redação da Gazeta Carajás. Eles consideram inadequado que um parlamentar dispute apoio público com produtores que enfrentam dificuldades para financiar suas atividades. Procurado pela reportagem, Cleido confirmou a participação e afirmou que cumpriu os requisitos.

O nome do vereador aparece como contemplado na modalidade de armazenamento de milho para produção animal. O edital prevê um silo metálico de 30 toneladas, em regime de cessão de uso com encargos. A publicação da seleção não comprova que a estrutura já tenha sido instalada ou entregue.

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O questionamento dos moradores se concentra na necessidade do benefício diante da condição de vereador. As regras do programa, porém, não restringem a participação a famílias pobres: a vulnerabilidade socioeconômica aumenta a pontuação. A documentação consultada não demonstra que Cleido tenha recebido tratamento privilegiado.

Em resposta à Gazeta, o parlamentar afirmou possuir Cadastro Nacional da Agricultura Familiar, trabalhar no campo e ter apresentado os documentos exigidos. “Eu não sou vereador, eu estou vereador. Eu sou produtor rural. Toda vida fui produtor rural”, declarou. Segundo ele, a seleção ocorreu por sua condição de produtor, e não pelo mandato.

Cleido também disse ter concorrido com outros interessados e ressaltou que a política não é sua profissão. A afirmação de que cumpriu todos os requisitos é a versão apresentada pelo vereador.

Apesar da fala de Cleido, os denunciantes questionam o resultado pelo seguinte: O vereador afirma publicamente que é de "direita" e "bolsonarista". Para quem não sabe, estar alinhado à direita significa querer menos intervenção do estado na economia e, ao fazer o uso de um programa social, o parlamentar não estaria ferindo um princípio claro do que diz acreditar?