Notícias do Pará, Tocantins e Maranhão | Gazeta Carajás

MENU

Notícias / Mineração

Estudo revela: garimpos são piores para municípios do que mineração industrial

Mineração industrial também causa danos, mas garimpo é muito pior e não traz desenvolvimento algum para as cidades

Estudo revela: garimpos são piores para municípios do que mineração industrial
A-
A+
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
enviando

Um estudo econométrico publicado na renomada revista Nature Communications derruba o mito de que o garimpo ilegal traz desenvolvimento para os municípios onde se instala. A pesquisa, intitulada "Perda florestal e ganhos econômicos incertos da mineração industrial e garimpo em municípios brasileiros", mostra que, apesar de a mineração industrial também causar danos ambientais e incertezas econômicas, o garimpo é muito pior, já que acelera a devastação e gera poucos benefícios econômicos sustentáveis.

Mineração x garimpo: impactos distintos

A análise comparativa revela que, embora ambas as atividades causem danos ambientais e submetam os municípios a crises quando os preços dos minerais caem, o garimpo tem efeitos ainda mais nocivos. Enquanto a mineração industrial proporciona maior crescimento econômico local em períodos de alta das commodities, o garimpo – mesmo o legalizado – está associado a maior evasão fiscal, menos controle ambiental e externalidades negativas mais graves, como desmatamento e degradação do solo.

O estudo destaca que, nas últimas décadas, o garimpo passou a utilizar maquinários pesados semelhantes aos da mineração industrial, porém sem os mesmos padrões de fiscalização. Isso amplia seus impactos negativos, especialmente na Amazônia, onde a atividade avança descontroladamente.

A "maldição dos recursos minerais"

A pesquisa confirma a chamada "maldição dos recursos naturais": municípios dependentes da mineração têm crescimento econômico volátil, com receitas que despencam quando os preços das commodities caem. Além disso, outras atividades econômicas locais tendem a ser abandonadas, aumentando a dependência do setor extrativo.

Entre 2005 e 2020, a área minerada no Brasil quase dobrou, passando de 180 mil para 351 mil hectares. Apesar de representar uma fração mínima comparada à soja (47,6 milhões de hectares em 2024), a mineração gera impactos desproporcionais, com desmatamento e pressão sobre ecossistemas frágeis.

Chamado por maior sustentabilidade e regulação

O estudo, liderado pelo economista Sebastian Luckeneder, da Universidade de Viena, e com participação da pesquisadora Juliana Siqueira-Gay (USP), alerta para a necessidade de políticas que reduzam a dependência local da mineração e aumentem a sustentabilidade do setor.

"Os resultados reforçam as preocupações de que a expansão desregulada do extrativismo aumenta o desmatamento e a vulnerabilidade econômica das regiões mineradoras", afirma o artigo. A pesquisadora Juliana Siqueira-Gay, que também coordenará um projeto sobre impactos cumulativos no Xingu, já havia alertado em 2020 sobre os riscos da abertura de terras indígenas para mineração – proposta contida no polêmico PL 191/2020, arquivado em 2023.

Desenvolvimento frágil e custo ambiental alto

A mineração, especialmente o garimpo, pode até gerar riqueza temporária, mas seu legado é de instabilidade econômica e degradação ambiental. Com a crescente permissividade para o garimpo no Brasil, os autores do estudo defendem maior rigor na regulação e alternativas de desenvolvimento que não aprofundem a dependência de um setor tão volátil e predatório.

 

Fonte/Créditos: Informações do blog O Britador e Notícias de Mineração

Comentários:

Redação

Publicado por:

Redação

Redação

Saiba Mais

Crie sua conta e confira as vantagens do Portal

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!