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Um diretor de uma escola municipal foi preso nesta segunda-feira (24), em Santarém, no oeste do Pará, suspeito de tentar interferir nas investigações de um caso de abuso sexual envolvendo crianças e adolescentes de uma comunidade da região do Tapajós.
De acordo com a Polícia Civil, o homem já havia sido afastado das funções e estava proibido pela Justiça de manter contato com as supostas vítimas e pessoas relacionadas ao caso. Mesmo assim, segundo as autoridades, ele teria descumprido as determinações.
A investigação teve início após uma adolescente procurar a Delegacia da Criança e do Adolescente (DEACA) para denunciar o caso. Com o avanço das apurações, outras possíveis vítimas foram identificadas. Atualmente, a polícia contabiliza cerca de oito crianças e adolescentes, com idades entre 8 e 14 anos.
Segundo a Polícia Civil, o diretor tinha conhecimento dos fatos investigados e teria adotado medidas para dificultar o trabalho dos investigadores.
Conforme as delegadas Márcia Rabelo e Milla Moura, o suspeito chegou a ser submetido a medidas cautelares, incluindo o afastamento das atividades profissionais e a proibição de contato com vítimas e pessoas ligadas à investigação.
Ainda de acordo com a polícia, ele teria oferecido vantagens a familiares das vítimas na tentativa de influenciar os depoimentos e impedir o avanço das apurações.
As autoridades também investigam a possível utilização de recursos financeiros e da influência que o diretor exerceria na comunidade para evitar denúncias ou fazer com que vítimas alterassem seus relatos.
A Polícia Civil informou que algumas crianças e adolescentes teriam mudado seus depoimentos após supostas interferências. Diante das informações apresentadas à Justiça, foi decretada a prisão preventiva do diretor.
As investigações também apontam a participação de um professor da comunidade, que foi preso anteriormente sob suspeita de crimes sexuais contra crianças e adolescentes.
Segundo a Polícia Civil, o diretor e o professor são familiares e fazem parte de um grupo de parentes que vive na comunidade. A polícia apura se a relação familiar e a influência exercida pelos investigados contribuíram para dificultar as denúncias e a coleta de depoimentos.
O mandado de prisão preventiva foi cumprido em Santarém por equipes do Núcleo de Apoio às Investigações (NAI) e da Polícia Civil.
Após ser detido, o suspeito foi encaminhado para os procedimentos legais, incluindo exame de corpo de delito, e posteriormente deverá ser levado para uma unidade prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça.
As investigações continuam. A Polícia Civil informou que novas pessoas ainda poderão ser ouvidas e que outras vítimas ou possíveis envolvidos podem ser identificados durante o andamento do caso.
A corporação orienta que possíveis vítimas ou familiares que tenham informações procurem as autoridades para contribuir com as investigações.
Publicado por:
Giovanna Noláscio
Repórter e redatora da Gazeta Carajás, destaca-se pela entrega e conexão com temas urgentes da região. Com experiência em coberturas intensas, como o resgate de garimpeiros em Canaã e a política no Sul e Sudeste do Pará, une sensibilidade e firmeza...
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