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A mineração em Carajás pode ganhar novos protagonistas nos próximos anos. Um levantamento realizado pela Gazeta Carajás na base da Agência Nacional de Mineração revela que empresas ainda pouco conhecidas pelo público regional estão pesquisando áreas, movimentando pedidos de lavra e avaliando possíveis jazidas em Canaã dos Carajás, Parauapebas e Marabá.
São companhias como Planalto Mineração, Smart Nickel, 3D Minerals, FZ, Auralite, WMA Brazil Exim, Nexa e Ligga. Algumas já atuam no setor mineral em outras regiões ou fazem parte de grupos empresariais maiores. Mesmo assim, ainda não possuem em Carajás a presença histórica e o reconhecimento alcançados pela Vale.
O levantamento encontrou 212 áreas com processos ativos que alcançam Canaã, 371 em Parauapebas e 758 em Marabá. Isso não significa que novas minas serão abertas em todas elas. A base inclui desde pedidos recentes de pesquisa até processos mais avançados, nos quais a empresa já busca autorização para extrair e comercializar o minério.
Os números mostram, porém, que o subsolo da região continua disputado. Além do minério de ferro e do cobre que sustentam as grandes operações existentes, há interesse crescente por ouro, níquel, manganês, chumbo e lítio.
Canaã tem projetos mais avançados para cobre, ouro e níquel
Em Canaã dos Carajás, a movimentação mais relevante envolve a Planalto Mineração. A companhia possui cinco processos relacionados a cobre e ouro, abrangendo áreas que somam aproximadamente 3,8 mil hectares.
Os processos estão na fase de requerimento de lavra e receberam novas movimentações em abril de 2026. Isso significa que as áreas já passaram pela etapa inicial de pesquisa e que a empresa agora tenta obter autorização para explorar economicamente as jazidas.
Esse avanço não garante a abertura imediata de uma mina. A empresa ainda precisa atender às exigências da ANM, demonstrar que o depósito é economicamente viável e conseguir as licenças ambientais necessárias. Mesmo assim, o requerimento de lavra coloca os processos da Planalto entre os mais avançados encontrados fora das operações tradicionais da Vale.
Outro nome que aparece com força é a Smart Nickel Mineração. A companhia mantém um requerimento de lavra para níquel em uma área de 2 mil hectares. O processo foi aberto há décadas, passou por diferentes titulares e recebeu nova movimentação em fevereiro de 2025.
Canaã também registra uma nova onda de pedidos para pesquisar cobre. Entre 2025 e 2026, foram apresentados requerimentos que, somados, alcançam mais de 4 mil hectares.
A Guimarães Empresarial e Participações possui dois pedidos que totalizam aproximadamente 1,9 mil hectares. A Goldex Trading solicitou uma área de 787 hectares, enquanto a Translacerda Transportes aparece em um processo de 49 hectares originado de uma divisão de área maior.
Esses pedidos estão no começo do caminho. As empresas ainda precisam receber autorização para realizar pesquisas, perfurar o terreno e avaliar a qualidade do minério. Por enquanto, demonstram interesse econômico, mas não confirmam a existência de uma jazida pronta para ser explorada.
Parauapebas pode diversificar sua produção mineral
Parauapebas é conhecida mundialmente pela produção de minério de ferro, mas os novos processos apontam para diversificação mineral. Há movimentações envolvendo cobre, ouro, manganês e até lítio.
A Ligga é o caso mais conhecido e mais próximo de uma expansão efetiva. A empresa opera a mina Ferro Sul, localizada entre Parauapebas e Curionópolis, e possui processos relacionados a minério de ferro e cobre.
Um dos processos abrange cerca de 5,7 mil hectares para minério de ferro e está na fase de requerimento de lavra. Outro envolve aproximadamente 1,8 mil hectares para cobre. Ambos receberam novas movimentações em agosto de 2026.
A Ligga está ligada à Corex Holding e ganhou maior visibilidade depois de fechar uma parceria com a Vale. O acordo prevê a entrada da Vale como acionista minoritária e investimentos para ampliar a capacidade da Ferro Sul de aproximadamente 2 milhões para 8 milhões de toneladas anuais até 2028. A Vale também deverá comprar a produção de minério prevista no negócio.
Apesar da aproximação com a maior mineradora do país, a Ligga continua sendo uma operação muito menor e ainda pouco conhecida pela população da região. Sua expansão pode representar aumento da produção, contratação de trabalhadores e maior demanda por fornecedores locais.
Outro movimento importante parte da 3D Minerals. A companhia possui duas autorizações de pesquisa para cobre em áreas que, somadas, chegam a aproximadamente 7 mil hectares. Os processos tiveram suas taxas anuais pagas em julho de 2026, o que mantém os direitos de pesquisa ativos.
A 3D Minerals adquiriu dezenas de áreas de minerais estratégicos em rodadas promovidas pela ANM. No Pará, a empresa conquistou direitos sobre 18 áreas. Seu interesse está concentrado principalmente em cobre e níquel, metais cada vez mais procurados pela indústria de energia, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos e defesa.
Parauapebas também possui processos menores, mas em etapas importantes. A SCM Mineração mantém um requerimento de lavra para ouro em uma área de aproximadamente 162 hectares. O processo recebeu novos documentos em setembro de 2026.
A J&B Eleuterio Mining possui autorização de pesquisa para minério de ferro em uma área de 87 hectares. A empresa conseguiu uma guia de utilização por três anos. Esse documento pode permitir uma retirada limitada de minério durante a fase de pesquisa, desde que sejam cumpridas as condições estabelecidas pela ANM e pela legislação ambiental.
Um dos registros mais recentes envolve a pesquisa de lítio. Um requerimento apresentado em setembro de 2026 alcança uma área de aproximadamente 4,6 mil hectares. O processo está em nome de Diogo Assad Boechat e ainda aguarda os próximos passos dentro da agência.
O pedido não confirma a existência de uma reserva de lítio em Parauapebas. Ainda assim, merece acompanhamento porque o mineral é considerado estratégico para a fabricação de baterias e vem atraindo investimentos em várias partes do mundo.
Marabá concentra o maior volume de novas pesquisas
Marabá apresentou a maior quantidade de áreas com processos ativos entre os três municípios analisados. Também concentra alguns dos maiores blocos recentes destinados à pesquisa de cobre, ouro, níquel, manganês, chumbo e alumínio.
A FZ Importação e Exportação de Produtos Minerais recebeu três alvarás para pesquisar cobre em 2026. As áreas somam mais de 23 mil hectares e alcançam o território de Marabá.
Dois alvarás foram publicados no início de julho e o terceiro no dia 22 do mesmo mês. As autorizações possuem prazo de três anos. Durante esse período, a empresa poderá realizar levantamentos geológicos, coletar amostras e executar perfurações para descobrir se existe cobre em quantidade e qualidade suficientes para justificar uma futura mina.
Outro grande movimento parte da Auralite Brazil Pedras Preciosas. A empresa possui duas autorizações para pesquisar ouro, abrangendo mais de 17 mil hectares. As taxas anuais das duas áreas foram pagas em julho de 2026, mantendo os processos ativos.
A 3D Minerals também aparece em Marabá com autorizações para cobre e manganês. As áreas somam aproximadamente 15,6 mil hectares. Em um dos processos, a empresa comunicou oficialmente o início da pesquisa em setembro de 2026.
A 3D Níquel, que aparece separadamente na base da ANM, reúne outras três áreas para cobre e níquel, totalizando cerca de 14,6 mil hectares. Os direitos minerários foram transferidos para a companhia em março de 2026.
As áreas da 3D Minerals e da 3D Níquel formam um dos maiores conjuntos recentes de interesse por minerais estratégicos em Marabá. No entanto, os processos ainda estão na fase de pesquisa e não permitem afirmar que uma nova mina será construída.
Nexa pesquisa chumbo em grande área de Marabá
A Nexa Recursos Minerais possui uma autorização para pesquisar chumbo em uma área de aproximadamente 8,9 mil hectares que alcança Marabá. O processo recebeu nova documentação em agosto de 2026.
A Nexa não é uma pequena mineradora. Trata-se de uma companhia de grande porte, com operações dentro e fora do Brasil. Mesmo assim, sua presença ainda é pouco conhecida pelo público de Carajás e a eventual entrada da empresa em Marabá representaria a chegada de um novo grupo relevante à mineração regional.
O processo está na fase de pesquisa. Isso significa que não existe, até o momento, confirmação pública de uma mina de chumbo em implantação. O tamanho da área e a experiência da companhia, porém, tornam o caso importante para acompanhamento.
Manganês também desperta interesse
A WMA Brazil Exim possui seis processos para manganês em Marabá. Juntas, as áreas somam aproximadamente 6 mil hectares e estão na fase de requerimento de lavra.
Os processos receberam novos documentos em setembro de 2026. Por estarem em uma etapa mais avançada, indicam que a empresa busca autorização para explorar as áreas. Ainda será necessário verificar a dimensão das reservas, os planos de produção e a existência de pedidos de licenciamento ambiental.
Outra empresa, a Recursos Minerais do Brasil, mantém um requerimento de lavra para manganês em uma área de 10 mil hectares. O processo também recebeu nova movimentação em setembro.
Marabá possui ainda uma autorização de pesquisa para cobre em nome da Aqua Azul, abrangendo cerca de 7 mil hectares. O alvará, publicado em abril de 2025, permite três anos de trabalhos de pesquisa.
A Dark Stone Mineração aparece com uma área de aproximadamente 4 mil hectares para manganês. Já a Terraforte Mineração e Construções possui o direito de apresentar pedido de lavra para cobre em uma área de 46 hectares, após conseguir a prorrogação do prazo em agosto de 2026.
Nem todo processo vai virar uma mina
Os dados revelam uma grande movimentação, mas precisam ser interpretados com cuidado. Registrar uma área na ANM ou conseguir autorização para pesquisar não significa que uma mina será aberta.
O primeiro passo geralmente é o requerimento de pesquisa. Se a ANM autorizar, a empresa pode estudar o terreno. Depois vêm as perfurações, análises laboratoriais e cálculos para saber quanto minério existe e se a exploração seria economicamente viável.
Somente após comprovar a jazida a empresa pode avançar para o requerimento de lavra. Mesmo nessa fase, ainda são necessários projetos técnicos, capacidade financeira e licenciamento ambiental. Muitos processos ficam anos em análise, mudam de proprietário ou são encerrados sem que qualquer mina seja instalada.
Também é preciso considerar que algumas áreas atravessam as divisas municipais. Por isso, o tamanho total registrado na ANM nem sempre está integralmente dentro de Canaã, Parauapebas ou Marabá.
Potencial de emprego e novos negócios
Se parte desses projetos avançar, a região poderá reduzir a concentração das atividades minerais nas mãos de poucos grupos. Novas operações podem abrir espaço para fornecedores, transportadoras, empresas de manutenção, laboratórios, prestadores de serviços ambientais e negócios ligados à construção e à alimentação.
Também podem surgir oportunidades para geólogos, engenheiros, técnicos, operadores de máquinas, motoristas, mecânicos, eletricistas e trabalhadores da construção civil. A quantidade de empregos dependerá do tamanho e do modelo de cada projeto.
A expansão, contudo, precisa ocorrer de maneira legal e responsável. Além de respeitar as regras ambientais, as empresas devem apresentar transparência sobre seus controladores, capacidade financeira, impactos e benefícios para os municípios.
O levantamento mostra que Carajás continua sendo uma das fronteiras minerais mais disputadas do país. A força da região não está apenas nas grandes minas que já produzem. Ela aparece também nas centenas de áreas em pesquisa e nos novos grupos que tentam confirmar jazidas.
Canaã pode ampliar sua produção de cobre, ouro e níquel. Parauapebas começa a atrair interesse por cobre, ouro e lítio, enquanto prepara a expansão da Ferro Sul. Marabá desponta como a principal fronteira para novas pesquisas de cobre, ouro, níquel, manganês e chumbo.
Nem todos esses processos chegarão à produção. Mas, se uma parte deles avançar, Canaã, Parauapebas e Marabá poderão receber novos investimentos, mais empresas e outras oportunidades de trabalho nos próximos anos.
Publicado por:
Kleysykennyson Carneiro
Editor-chefe do Gazeta Carajás. Com mais de 15 anos de atuação no jornalismo, sua trajetória inclui passagens por televisão, assessoria institucional e direção de grandes eventos.
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