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Canaã dos Carajás tem uma das maiores economias do Pará, mas nunca elegeu um deputado estadual diretamente ligado ao município. É essa história que Eugênio Gadelha, candidato pelo MDB, pretende mudar nas eleições deste ano.
Engenheiro mecânico e ex-secretário de Obras de Canaã, Eugênio disputa uma eleição pela primeira vez. Ele é marido da prefeita Josemira Gadelha e afirma que quer levar à Assembleia Legislativa a experiência que acumulou na indústria e na gestão pública.
Na entrevista à Gazeta Carajás, o candidato apresenta propostas para Canaã, Parauapebas e outros municípios do Sul e Sudeste do Pará. Entre elas estão uma unidade do Hospital de Amor em Canaã, a ampliação do atendimento especializado em Parauapebas, a duplicação da PA-160 e um plano de longo prazo para gerar empregos além da mineração.
Gazeta Carajás: O senhor construiu uma trajetória como engenheiro e também passou pela gestão pública. Como essa experiência o preparou para representar a população na Assembleia Legislativa?
Eugênio Gadelha: Sou engenheiro mecânico, com atuação na área industrial. Trabalhei em grandes empresas estatais, como a Refinaria Landulpho Alves, na Bahia, hoje privatizada, e em empresas da iniciativa privada, como a Mineração Rio do Norte, em Porto Trombetas, e a Vale, em Canaã dos Carajás. Sempre estive à frente de equipes, coordenando projetos.
Essa experiência com planejamento e gestão me credenciou para atuar no serviço público, como secretário de Obras de Canaã, a convite da prefeita Josemira Gadelha. O conhecimento dessas áreas me permite enxergar com muita clareza as deficiências do serviço público e as necessidades da população dos municípios da nossa região.
É aí que entra a política. Com representação na Assembleia Legislativa, posso contribuir para transformar realidades e melhorar a vida das pessoas. Esse é o meu compromisso.
GC: Esta é a primeira vez que o senhor disputa uma eleição. O que o fez sair de uma atuação mais técnica e administrativa para colocar seu nome à avaliação dos eleitores?
EG: A certeza de que a solução dos problemas que o nosso povo enfrenta, principalmente as pessoas mais carentes, depende da atuação política. A representação parlamentar tem um papel importante na formulação de políticas públicas. Os deputados estaduais elaboram leis e apresentam projetos para levar recursos aos municípios.
Estou colocando minha experiência profissional e meu conhecimento da gestão pública a serviço da minha comunidade, dos eleitores do Sul e Sudeste e de todo o Pará, para construirmos juntos uma sociedade melhor e mais justa.
GC: Ao longo de sua trajetória profissional e na gestão pública, quais experiências mais contribuíram para formar sua visão sobre desenvolvimento e administração pública?
EG: Acredito que o desenvolvimento é fruto de planejamento e trabalho responsável. Nenhuma cidade cresce e se organiza do dia para a noite. Como nas empresas, o sucesso da administração pública exige estudo, método e orçamento. Além, é claro, do uso correto e honesto do dinheiro público.
Tenho experiência em gestão, sei como aplicar os recursos e sou ficha limpa. Considero esses requisitos fundamentais para exercer um mandato parlamentar.
GC: Canaã dos Carajás possui uma das maiores economias do Pará, mas ainda não conseguiu eleger um representante diretamente ligado ao município para a Assembleia. O que mudaria com uma voz de Canaã na Alepa?
EG: Muda a perspectiva. Muda o olhar da Assembleia Legislativa para um território que oferece riquezas naturais, como o nosso minério, mas que nem sempre sente os efeitos dessa exploração.
A voz de Canaã, de Parauapebas e de todo o Sul e Sudeste do Pará vai mostrar ao Estado, e cobrar dele, que a população quer mais emprego, saúde e educação de qualidade, infraestrutura e prosperidade.
GC: O senhor afirma que não pretende representar apenas Canaã, mas todo o Sul e Sudeste do Pará. Quais problemas aproximam os municípios dessa região e podem ser enfrentados de maneira conjunta?
EG: Canaã dos Carajás tem avançado muito com a prefeita Josemira Gadelha. O município está aproveitando os resultados de uma gestão planejada e responsável em setores como urbanização, saneamento, asfalto na cidade e no campo, habitação e construção de escolas, creches e hospitais.
Por meio da atuação parlamentar, vamos propor que experiências que funcionam em Canaã sejam levadas para toda a região e até para o estado inteiro. Se dá certo em Canaã, pode dar certo em outros municípios do Pará.
GC: Canaã e Parauapebas produzem uma parcela importante da riqueza mineral brasileira. Como garantir que essa riqueza se transforme em saúde, educação, infraestrutura e qualidade de vida para quem mora na região?
EG: Com planejamento e gestão. Em Canaã, a administração é voltada para cuidar das pessoas, com escolas, atenção à saúde, infraestrutura e geração de renda.
Precisamos fazer com que Parauapebas e outras cidades que recebem a CFEM, a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais, os chamados royalties do minério, coloquem o bem-estar da população como prioridade.
GC: Os municípios mineradores crescem rapidamente e vivem sob pressão por novas vagas em escolas, hospitais e serviços públicos. Que tratamento diferenciado o Estado deveria oferecer a essas cidades?
EG: Por serem potências econômicas, as cidades mineradoras recebem pessoas de outras regiões de forma permanente. Canaã e Parauapebas estão vendo a população crescer muito. O Estado precisa compreender esse fenômeno e criar condições para que as prefeituras respondam à demanda.
Esses municípios vão precisar de mais escolas, hospitais e agentes de segurança pública. Como deputado estadual, vou trabalhar pela ampliação do atendimento nessas áreas em toda a região.
GC: O senhor defende a implantação do Hospital de Amor em Canaã dos Carajás. Como funcionaria esse projeto e qual seria sua importância para os pacientes com câncer da região?
EG: O Hospital de Amor é uma instituição filantrópica especializada na prevenção, no diagnóstico e no tratamento do câncer. A assistência aos pacientes é gratuita, financiada pelo Sistema Único de Saúde, por doações e por eventos beneficentes.
A prefeita Josemira Gadelha já está em conversas adiantadas com Henrique Prata, diretor do hospital, para termos uma unidade em Canaã dos Carajás. Isso significa oferecer tratamento mais perto de casa a pessoas que hoje precisam enfrentar longas distâncias para conseguir uma consulta, uma cirurgia ou dar continuidade ao tratamento. Vamos lutar para que esse projeto seja concretizado.
GC: Outra proposta apresentada é ampliar o atendimento especializado em Parauapebas. O que o senhor pretende defender para o município?
EG: Essa é uma demanda da população de Parauapebas que vamos defender na Assembleia Legislativa. A governadora Hana Ghassan já anunciou a construção de um Hospital Regional, com estrutura para atendimentos de média e alta complexidade.
Hoje, pacientes precisam viajar até Marabá para buscar determinados tratamentos. São quase 170 quilômetros de estrada. Um hospital regional em Parauapebas aproximaria esses serviços das pessoas. Essa é uma das prioridades que quero defender no mandato.
GC: Como engenheiro e ex-secretário de Obras, quais são as intervenções de infraestrutura mais urgentes para melhorar a integração entre Canaã, Parauapebas e os demais municípios do Sul e Sudeste do Pará?
EG: Vamos trabalhar pela duplicação da PA-160, que liga Canaã a Parauapebas. É uma das rodovias mais movimentadas da região. A prefeita Josemira já duplicou três quilômetros na saída de Canaã, e precisamos avançar.
Também temos que fazer a terceira fase da Transcarajás, que liga a BR-155 à Vila São José. Isso criaria um novo eixo logístico entre o Pará e o Tocantins. Outra obra importante é a conclusão da Transcanadá, da Vila Canadá até a PA-279.
Essas intervenções, somadas ao asfaltamento de vicinais e à construção de pontes, podem facilitar o transporte da produção e melhorar o deslocamento das pessoas.
GC: Apesar da força da mineração, a região precisa se preparar para um futuro menos dependente dessa atividade. Quais setores podem gerar uma nova base de emprego e renda?
EG: Uma região forte não pode pensar apenas no presente. Precisamos planejar o futuro. O Plano Estratégico Sul e Sudeste 2050 faz parte das minhas propostas para o mandato. A ideia é reunir governo, universidades e setor produtivo para construir um projeto para os próximos 25 anos.
A base desse desenvolvimento deve incluir investimentos em infraestrutura, educação, inovação tecnológica e meio ambiente. A alternativa econômica à mineração passa por essas áreas.
GC: A produção rural tem recebido investimentos em Canaã dos Carajás. Como levar essas experiências para fortalecer pequenos produtores e agricultores familiares de outras regiões do Pará?
EG: Apoiar e modernizar a agricultura familiar, a pecuária e o agronegócio é fundamental para aumentar a produtividade, melhorar a vida dos trabalhadores rurais e gerar riqueza para a região.
Minha proposta é fortalecer as cooperativas agrícolas para oferecer suporte técnico contínuo aos produtores. Com isso, podemos aumentar a produtividade e a renda no campo, usar os recursos naturais de forma responsável e agregar valor aos produtos regionais.
GC: Muitos jovens ainda precisam deixar o Sul e Sudeste do estado para cursar uma graduação. O que o senhor pretende fazer para ampliar o ensino superior e a formação profissional na própria região?
EG: Canaã já se tornou um polo de educação superior pública, com oferta de cursos da Uepa e da Unifesspa. Também está em andamento a criação da Cidade Universitária Multicampi, com a participação da Ufra, Unifesspa, Uepa, IFPA e Universidade Aberta do Brasil.
Vamos trabalhar ainda pela implantação do Polo Tecnológico de Carajás, com cursos em áreas como robótica, inteligência artificial e tecnologias aplicadas à mineração. Queremos que os jovens encontrem oportunidades de formação na própria região.
GC: A prefeita Josemira Gadelha é sua companheira de vida e uma parceira na política. O que o senhor aprendeu acompanhando a gestão dela?
EG: Eu e Josemira estamos casados há 30 anos. Temos três filhos. Sempre tomamos nossas decisões a partir do diálogo. Quando ela assumiu a prefeitura, passei a colaborar com ideias e a discutir projetos com um objetivo em comum: cuidar das pessoas.
Josemira é minha companheira de vida e de trabalho. Aprendo todos os dias ao participar da gestão de Canaã e também tive uma experiência concreta como secretário de Obras. Se chegar à Assembleia Legislativa, vamos continuar trabalhando juntos.
GC: Se for eleito, qual marca Eugênio Gadelha pretende deixar na Assembleia Legislativa ao final do primeiro mandato?
EG: A marca do trabalho. O Pará é a terra que adotei como lar. Aqui constituí minha família e criei meus filhos. Quero contribuir para o desenvolvimento deste estado tão rico.
Minhas propostas buscam o crescimento econômico sustentável, com base na educação e na construção de uma nova realidade para a nossa região, com mais prosperidade para todos.
Publicado por:
Kleysykennyson Carneiro
Editor-chefe do Gazeta Carajás. Com mais de 15 anos de atuação no jornalismo, sua trajetória inclui passagens por televisão, assessoria institucional e direção de grandes eventos.
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