A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo (OAB-SP) decidiu suspender, nesta quarta-feira (23), o exercício profissional da advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra Santos. A medida impede imediatamente que ela atue na advocacia enquanto responde a processo disciplinar na entidade.
Deolane está presa preventivamente desde 21 de maio, acusada de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro supostamente ligado à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação é conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil no âmbito da Operação Vérnix.
De acordo com as autoridades, o grupo utilizaria uma transportadora de fachada, registrada oficialmente em Presidente Venceslau, no interior paulista, para movimentar recursos ilícitos. Os investigadores afirmam que a influenciadora teria participado da ocultação de valores provenientes da organização criminosa.
A defesa de Deolane nega qualquer envolvimento com atividades ilegais. Em manifestações anteriores, ela afirmou não possuir ligação com o crime organizado e declarou: “Não sou bandida”.
Conforme prevê o Estatuto da Advocacia (Lei nº 8.906/94), a suspensão cautelar pode ser aplicada inicialmente por até 90 dias, com possibilidade de prorrogações sucessivas, respeitando o limite máximo de 360 dias. Durante esse período, o Tribunal de Ética e Disciplina da OAB deverá concluir o julgamento definitivo do caso.
Atualmente, Deolane está custodiada na Penitenciária de Tupi Paulista, localizada a mais de 600 quilômetros da capital paulista. A OAB-SP informou ter solicitado à Justiça sua transferência para uma Sala de Estado-Maior, espaço destinado a advogados presos e que possui condições distintas das unidades prisionais comuns.
Em nota, a entidade destacou que todas as infrações ético-disciplinares que chegam ao seu conhecimento, seja por representação formal ou por fatos amplamente divulgados, são analisadas pelo Tribunal de Ética e Disciplina. Os processos, no entanto, tramitam sob sigilo, conforme determina o artigo 72, parágrafo 2º, do Estatuto da Advocacia.
A investigação segue em andamento, e até o momento não há decisão judicial definitiva sobre as acusações imputadas à influenciadora.
Comentários: