Quase 10 anos depois do assassinato que interrompeu a trajetória política de Jones William, o nome do ex-prefeito volta ao centro do cenário eleitoral de Tucuruí. Desta vez, por meio da candidatura de sua prima de primeiro grau, a odontóloga Adriana da Silva Dias Cuppari, a popular Dra. Adriana.

Nesta quarta-feira (19), o PCdoB divulgou um card com as fotos de Adriana e Jones William acompanhado da frase: “O sonho de Jones William segue vivo”. A publicação apresenta a candidatura como uma continuidade do legado político e social deixado pelo ex-prefeito.

Natural de Tucuruí, Dra. Adriana tem 39 anos, é formada em Odontologia e será candidata a deputada estadual pela Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PCdoB e PV. Ela já participou das eleições municipais de 2024, quando concorreu ao cargo de vereadora.

Leia Também:

Assim como Jones William, Adriana apresenta um discurso político voltado principalmente às pessoas em situação de vulnerabilidade. Filiada a um partido de esquerda, ela defende a redução das desigualdades sociais, a ampliação das políticas públicas e uma presença mais forte do Estado na proteção das famílias que mais precisam.

Jones foi eleito prefeito de Tucuruí em 2016 pelo então PMDB, atual MDB, com 53,5% dos votos válidos. Enfermeiro de formação, ele chegou ao comando do município com uma imagem ligada ao atendimento da população mais humilde. Embora pertençam a partidos diferentes, Jones e Adriana são apresentados como politicamente próximos pela defesa das classes sociais mais vulneráveis.

O assassinato de Jones William

Jones William tinha 42 anos e estava havia menos de sete meses no cargo quando foi assassinado, em 25 de julho de 2017. O prefeito vistoriava uma obra de recuperação viária na estrada de acesso ao aeroporto de Tucuruí quando dois homens chegaram em uma motocicleta e efetuaram vários disparos.

Atingido no peito e na cabeça, Jones ainda foi levado ao Hospital Regional de Tucuruí, mas não resistiu. O assassinato, cometido em plena luz do dia, causou forte comoção no Pará e passou a ser investigado como um crime relacionado a interesses políticos e financeiros. 

Caso será levado ao Tribunal do Júri

Depois de quase nove anos de investigações, acusações e reviravoltas, a Justiça decidiu, em julho de 2026, levar o ex-vice-prefeito Artur de Jesus Brito a julgamento pelo Tribunal do Júri. Ele é acusado pelo Ministério Público de ter sido o mandante intelectual do assassinato.

Segundo a acusação, Artur teria contratado os responsáveis pela execução em meio a uma disputa política e financeira pelo controle da Prefeitura de Tucuruí. Depoimentos reunidos no processo mencionam que o crime teria sido encomendado por R$ 400 mil.

Artur Brito foi pronunciado por homicídio qualificado, por suposto motivo torpe e pelo uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. A decisão de pronúncia, entretanto, não representa uma condenação. Ela significa que a Justiça encontrou indícios suficientes para que o caso seja analisado pelos jurados. Caberá ao Tribunal do Júri decidir pela absolvição ou condenação do acusado.

A investigação também foi marcada por suspeitas de corrupção e direcionamento do inquérito policial. Parte dos agentes que atuaram na apuração foi acusada de receber vantagens indevidas para fornecer informações sigilosas e interferir no rumo das investigações. Apesar desses questionamentos, a Justiça considerou que depoimentos prestados diretamente em juízo sustentam o envio de Artur Brito ao júri.