Na madrugada de sábado, grupos indígenas ocuparam os escritórios da multinacional Cargill no Porto de Santarém (PA). A mobilização é um protesto contra o Decreto 12.600, assinado em agosto de 2025 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O decreto inclui as hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização e prevê obras de dragagem para ampliar o transporte fluvial de grãos. Organizações indígenas afirmam que a medida pode autorizar o uso de explosivos para retirada de rochas do leito dos rios amazônicos, o que, segundo ambientalistas, pode impactar a fauna e o equilíbrio ecológico.
O Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns informou que a mobilização ocorre após semanas sem respostas consideradas satisfatórias às reivindicações e declarou que seguirá em protesto até que haja compromisso formal sobre o decreto.
A Cargill classificou a ação como violenta, relatando invasão e atos de vandalismo no terminal, que já estava com o acesso de caminhões bloqueado havia cerca de 30 dias. A empresa informou que funcionários foram retirados em segurança e que mantém diálogo com as autoridades para desocupação ordeira.
A Justiça determinou o desbloqueio das vias e reiterou a ordem de desocupação. O governo federal enviou representantes ao Pará, suspendeu o pregão para contratação da dragagem como gesto de negociação e instituiu um grupo de trabalho interministerial com participação da sociedade civil.
Mesmo com a liberação parcial do fluxo de mercadorias, os protestos continuam e mantêm o clima de instabilidade na logística portuária da região do Tapajós.
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