Indígenas que ocupam as instalações da Cargill em Santarém (PA) devem desocupar o local em até 48 horas, segundo lideranças do movimento. A decisão foi tomada após o governo federal revogar o Decreto 12.600, que autorizava a inclusão das hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização.
A revogação foi publicada nesta terça-feira no Diário Oficial da União (DOU) e atendia a uma das principais reivindicações dos manifestantes. O grupo ocupava o terminal desde o fim de semana, após semanas de bloqueio na entrada da unidade, interrompendo o tráfego de caminhões em um momento estratégico para o escoamento da safra recorde de soja no país.
A liderança indígena Alessandra Munduruku afirmou que, com a revogação, o grupo agora organiza a saída. Segundo ela, ainda será necessário realizar a limpeza da área e estruturar a logística de retorno às aldeias, já que a maior parte dos manifestantes depende de transporte fluvial.
Os indígenas criticavam o decreto sob o argumento de que ele poderia abrir caminho para a dragagem de rios amazônicos, especialmente o Tapajós, com possíveis impactos na qualidade da água e na pesca, atividade essencial para a subsistência das comunidades.
Santarém é um dos principais polos de exportação de grãos da Região Norte. Pelo terminal da Cargill no município, soja e milho seguem pela hidrovia do Tapajós até os mercados internacionais. Segundo dados do setor portuário, mais de 5,5 milhões de toneladas desses produtos foram exportadas pela empresa a partir da cidade no ano passado.
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