A fumaça das queimadas tem contribuído para o agravamento de sintomas respiratórios em Santarém, no oeste do Pará. Até o dia 19 de outubro de 2026, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 horas registrou 423 atendimentos relacionados a esses sintomas. Em todo o mês de outubro do ano passado, foram contabilizados 308 casos, o que representa um aumento de aproximadamente 37% em menos de três semanas.

Segundo a secretária adjunta de Saúde de Santarém, Irlaine Figueira, a fumaça pode agravar problemas respiratórios mesmo em pessoas que apresentam sintomas provocados por outros fatores, como infecções virais e bacterianas. O aumento da procura por atendimento, portanto, não significa que todos os pacientes tenham adoecido diretamente em consequência das queimadas.

Os dados foram divulgados pela Vigilância Epidemiológica da UPA, com data-base de 19 de outubro. O levantamento também mostra que os atendimentos respiratórios oscilaram ao longo dos últimos meses, com números diferentes entre 2025 e 2026.

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No ano passado, os maiores volumes foram registrados entre maio e setembro. Em agosto, a unidade contabilizou 889 atendimentos, enquanto setembro terminou com 759 registros. Em 2026, os números foram menores nesses mesmos meses: 362 em maio, 321 em junho, 320 em julho, 218 em agosto e 202 em setembro.

A situação mudou em outubro, quando os registros chegaram a 423 até o dia 19, superando o total contabilizado durante todo o mesmo mês de 2025. Outros meses deste ano também apresentaram números superiores aos do ano passado. Em fevereiro, foram 342 atendimentos, contra 319 em 2025. Em março, o total passou de 281 para 422, e, em abril, de 350 para 413.

A exposição à fumaça pode provocar irritação nas vias respiratórias, tosse e dificuldade para respirar, além de agravar doenças preexistentes. Crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios ou cardiovasculares estão entre os grupos que exigem maior atenção.

Até 19 de outubro, também foram registrados dois casos de intoxicação exógena relacionados à fumaça, conforme os dados da Vigilância Epidemiológica. A notificação segue critérios específicos, por isso esse número não representa necessariamente todas as pessoas que apresentaram irritação ou piora dos sintomas após a exposição.

Durante períodos de fumaça intensa, a orientação é evitar atividades físicas ao ar livre, reduzir o tempo de exposição e manter portas e janelas fechadas quando a poluição externa estiver elevada, desde que isso não provoque calor excessivo nos ambientes. Também é importante observar possíveis sinais de agravamento, principalmente em pessoas dos grupos mais vulneráveis.

Quem apresentar sintomas leves pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para avaliação. Já em situações de falta de ar intensa, dor súbita no peito ou piora importante do estado de saúde, a recomendação é buscar atendimento de urgência.

A UPA 24 horas atende casos de urgência e emergência de média complexidade. As UBS são destinadas ao atendimento de rotina, à prevenção de doenças, à vacinação, ao acompanhamento de condições crônicas e à avaliação de sintomas leves.

FONTE/CRÉDITOS: G1 Santarém