No Pará, quem trafegou pela BR-222 na última década sabe muito bem que existe uma Bom Jesus do Tocantins antes de 2017 e outra hoje. O simpático município ficou mais urbanizado, mais organizado, ganhou novos cartões postais e se tornou um lugar ainda mais agradável para se viver ou visitar.
Não por acaso, ao longo destes sete anos, Bom Jesus é gerida por João da Cunha Rocha, de 51 anos, administrador por profissão e o responsável pela transformação de Bom Jesus. Paulista de Itapevi, Joãozinho, como é conhecido, mora em Bonja há 25 anos e não pretende deixar o município jamais.
O prefeito recebeu a equipe do Radar do Poder em Bom Jesus. O gestor é calmo, sério, fala sempre de forma tranquila, respeitosa, acolhedora e é um comunicador nato. A gravação foi feita de primeira, sem intervalos e Joãozinho não fugiu das perguntas feitas pela reportagem.
Na ocasião, falou sobre esperança, poder, diálogo com as pessoas, estratégias políticas e sobre a própria sucessão.
Confira entrevista na íntegra, em vídeo e transcrita.
Por que escolher fazer política?
Acho que escolher fazer política é... as pessoas que nos escolhem, né? É as ações que nós fazemos ao longo da nossa vida. Cada um de nós somos políticos, basta ajudar a uma pessoa, aquela pessoa que precisa, que necessita você se torna um político e as pessoas agradam de você pelo ato de você algo de bom pela sociedade e é isso que nós fizemos aqui ao longo desses 7 anos em Bom Jesus.
Quem é o João Rocha?
Eu sou uma pessoa normal, uma pessoa que tem mais de 25 anos nessa cidade, sempre participei de todos os processos políticos, todos os prefeitos que passaram eu participei também junto trabalhando na prefeitura. E coloquei o meu nome à disposição em 2016 e chegamos à Prefeitura para fazer a diferença. Esse é o João Rocha.
Se você pudesse se definir em uma palavra, qual seria essa palavra?
Eu sou uma pessoa de muita esperança e de muita objetividade. Eu gosto muito da esperança porque a esperança é algo que as pessoas esperam de você e eu sempre fui muito objetivo para atender essa esperança das pessoas.
Qual a sua relação com o poder? Você se apega ao poder?
Não, não me apego ao poder. O poder é passageiro, tudo é passageiro. Agora, você tem que fazer do poder um trabalho humanizado, respeitando as pessoas. Porque não adianta ter poder e você ser desrespeitado, você não ter credibilidade na sociedade. Pra que poder se você não tem credibilidade nenhuma na sociedade. Então, o que nós temos aqui não é o amor pelo poder, é fazer do poder algo pra ajudar alguém e a sociedade sabe do que estou falando.
Por que você escolheu o Jeilson Reis para ser o seu sucessor?
A palavra lealdade resume isso. Porque o Jeilson está comigo há dois mandatos. É o único vice-prefeito acho que da região do Pará que tem dois mandatos consecutivos com o mesmo prefeito. E ele sempre se pôs no seu devido lugar, respeitando as minhas decisões, eu respeitando as decisões dele e isso fez com que eu decidisse, juntamente com o grupo, que ele seria o nosso sucessor. E ele é uma pessoa com muita capacidade também, além da lealdade.
O senhor acha que vai conseguir eleger o seu sucessor?
Com certeza. As pessoas sabem como era essa cidade, sabem como está, ele sempre fez parte desse processo. O que nós vamos fazer é dar continuidade em um projeto maravilhoso, que foi a transformação da cidade de Bom Jesus do Tocantins, Pará.
O senhor tem medo de perder a eleição?
Não! Na vida se perde, na vida se ganha, mas toda política tem que ter estratégias. Não estratégias de denegrir a imagem de pessoas, não estratégia de ofender as pessoas, estratégias para o bem da sociedade. Estratégias com plano de governo, estratégia com plano na saúde, plano para educação, isso é garantir que a gente não tenha medo de perder.
Após o fim de 2024, quando termina seu segundo mandato, o que planeja fazer pelos próximos quatro anos?
O meu plano é continuar em Bom Jesus ajudando a nova administração, dar continuidade a esse trabalho, estar orientando a equipe para que a gente possa fazer ainda mais pela nossa cidade. A cidade é como a casa da gente: todo dia tem algo pra fazer. Todo dia na nossa casa vai acontecer alguma coisa. Ou uma telha vai quebrar, um caibro apodrecer, o município é do mesmo jeito: todo dia tem os problemas, mas as soluções cabem a quem está na frente. Então, esses planos futuros que nós temos... nós temos um slogan aqui chamado Bonja 2030. É o que que nós queremos. Nós queremos que Bom Jesus até 2030 esteja conosco porque a gente está com um plano até 2030. Um plano que nós criamos aqui de infraestrutura, um plano ambiental, um plano de educação, um plano de saúde pra que a gente possa dar continuidade e beneficiar a sociedade que precisa.
Qual é o seu maior sonho na política?
Eu acho que eu já realizei. Os sonhos quando você tem oportunidade de ser eleito pela sociedade, e as pessoas te dão essa oportunidade e você fazer jus a essa oportunidade. Então, eu já sou realizado. Nós fizemos aqui mais de 14 quilômetros de asfalto, nós realizamos o sonho de pessoas que precisavam de habitação. Criamos um projeto municipal chamado “Minha Casa, Meu Sonho”, demos muita casa para as pessoas, conseguimos “Cheque Sua Casa”, foram mais de 250 Cheques Sua Casa. Então, quando você fala qual seria o meu maior sonho: é o sonho de ver as pessoas bem. Então, eu sou um cara realizado. Eu acho que a política me ajudou muito a enxergar mais a sociedade.
Qual a sua relação com o governador Helder Barbalho?
A melhor possível. O governador é um parceiro, um amigo. Eu também sou do MDB, nosso vice-prefeito também é MDB. Então, o Helder tem sido um parceiro da nossa cidade, tem ajudado muito, contribuído com essa gestão. Então, as melhores possíveis. E cada vez mais nós estamos mais unidos, pois temos a mãe dele que é deputada federal do nosso lado, o ministro das Cidades, que é o Jader Filho, e o Jader, senador, que é o pai. Então, nós estamos bem acolhidos com a família Barbalho.
Até onde você iria pelo poder? Qual o limite dessa busca?
Depende. Às vezes, as pessoas fazem fora do limite pelo poder. Essa não é a nossa meta. A nossa meta é as pessoas que têm que decidir. Então, se tiver algum limite quem tem que mostrar esse limite pra nós é a sociedade. Será que eles nos querem ainda? Se eles nos querem pelo serviço que fizemos, a sociedade tem que avaliar tudo isso, fazer uma análise: como nós fomos? O que fizemos pela sociedade. Então, o limite da política é limitado... o poder emana de quem? Do povo. Então, o limite quem dá é o povo. Mas eu acredito que as pessoas acreditam muita na gente pelo que já fizemos e eles vão dar a quantidade de limite que eles acharem necessário.
O que você não faria para chegar ao poder?
O que eu não faria era humilhar as pessoas, denegrir a imagem das pessoas, matar as pessoas pelo poder, matar com palavras, matar psicologicamente as pessoas. Não. O poder para mim é momentâneo. Tantas pessoas que tinham poder e caíram. O que eu faria pelo poder é conscientizar as pessoas do que é o melhor para eles. O poder é passageiro. Tolo é aquele que acha que o poder vai resolver os problemas do mundo. O que vai resolver os problemas do mundo e de uma cidade é as ações de quem tem o poder.
É mais difícil saber ganhar ou saber perder?
Eu acho que os dois, né? Saber ganhar pra não se exaltar demais e fazer besteira. E quando perder a eleição não achar que é o fim do mundo, que não é. Na vida a gente perde e ganha. A gente tem essas duas opções. Agora, todos nós trabalhamos para ganhar, ninguém entra para perder, mas há limites. Agora, volto a frisar: nós mudamos a história dessa cidade. Nós não merecemos sair da gestão pelo que já fizemos. Eu acho que seria uma ingratidão, mas eu acredito muito na sociedade e sei que eles não vão fazer isso.
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