O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), cancelou o pronunciamento que faria à imprensa nesta quinta-feira (10), inicialmente marcado para as 11h. A manifestação será remarcada para uma nova data, ainda não definida.

O pronunciamento havia sido anunciado em meio à crise envolvendo o ministro, o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro. A expectativa era de que Moraes apresentasse esclarecimentos sobre informações que passaram a integrar as investigações relacionadas ao caso.

Documentos analisados pela Polícia Federal apontaram a existência de mensagens enviadas por Vorcaro a um número atribuído a Moraes. Segundo o material divulgado, o banqueiro teria procurado o ministro em diferentes ocasiões para tratar de assuntos relacionados às investigações que atingiam o Banco Master.

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Entre as mensagens, Vorcaro teria perguntado a Moraes se deveria deixar o país antes de uma operação e feito pedidos relacionados ao andamento das investigações. O conteúdo das respostas de Moraes não foi integralmente recuperado pela Polícia Federal, de acordo com as informações divulgadas sobre o relatório.

Outro ponto que passou a ser questionado é um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O acordo, segundo documentos divulgados, teria valor aproximado de R$ 131 milhões.

Também foram divulgadas informações sobre cartões de crédito do Banco Master que teriam sido disponibilizados para filhos do ministro, com limite de até R$ 300 mil. Não há, nas informações divulgadas, comprovação de utilização dos cartões.

O material analisado pelas autoridades também menciona o uso de uma aeronave ligada a uma empresa que teve Vorcaro entre seus sócios. Uma segunda minuta de contrato envolvendo o escritório de Viviane Barci de Moraes teria previsto pagamentos relacionados a ativos, mas, segundo as informações divulgadas, essa proposta não chegou a ser assinada.

O escritório da esposa de Moraes afirmou que o ministro foi consultado sobre o contrato para verificar possíveis impedimentos legais. A defesa nega irregularidades e sustenta que a atuação profissional do escritório ocorreu dentro da legalidade.

A divulgação dos documentos provocou uma disputa entre ministros do STF. André Mendonça, que atua em processos relacionados ao caso Banco Master, determinou providências e tornou públicos elementos da investigação que incluíam referências a Moraes.