A reportagem do Gazeta Carajás esteve em Itupiranga no começo desta semana e verificou uma triste situação: o comércio local está agonizando e os empresários estão comendo o pão que o diabo amassou. O movimento é fraco, as vendas caem e a perspectiva para o fim de ano não é das melhores.

O mais supersticioso leitor pode pensar até que alguém enterrou alguma cabeça de burro em solo itupiranguense. No entanto, um olhar mais atento sabe muito bem que a questão é matemática e um número resume o que está acontecendo: três anos.

Itupiranga vive uma ressaca econômica que já dura três anos, desde que Benjamin Tasca iniciou seu quinto mandato. A gestão é engessada, tem a mente fechada, raízes fincadas no passado e é incapaz de pensar e criar um ambiente favorável aos negócios. Assim, perde-se renda, os munícipes ficam sem emprego e o próprio município perde arrecadação.

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O Gazeta ouviu um empresário, dono de um restaurante nas margens do Rio Tocantins. Ele preferiu não ser identificado, mas revelou com tristeza nos olhos o que está vivendo. “O movimento está péssimo. De dia, até vem algumas pessoas almoçar, mas à noite está muito devagar. Já não sabemos o que fazer para pagar folha, é prejuízo atrás de prejuízo. Medo até de fechar as portas.”

A grande verdade é que Itupiranga enfrenta uma crise política sem precedentes. Como é de conhecimento geral, crises políticas engendram crises econômicas, já que municípios instáveis são incapazes de manter contas equilibradas.

Na prática, contas desequilibradas significam pagamentos atrasados, menos dinheiro circulando e menos investimento de capital externo. Ora, se o empresário não enxerga um município equilibrado e uma população capaz de manter o seu empreendimento, não há razão parainvestir – simples lógica capitalista.

 Ninguém enterrou cabeça de burro em Itupiranga. Pelo contrário, o município tem grande potencial econômico. Cabe a quem geri-lo fazer o possível para efetivar este potencial – o que parece longe de acontecer.

Em mãos erradas, sofre o empresário, sofre o povo - sabe-se lá Deus até quando.