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Casos de fratura peniana crescem no carnaval

Dados da Secretaria Municipal de Saúde do Rio mostram que, de 2024 até 8 de fevereiro deste ano, a rede municipal fez 571 atendimentos

Casos de fratura peniana crescem no carnaval
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Em um mês comum, o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro do Rio, registra em média quatro casos de fratura peniana — uma emergência considerada rara. No carnaval passado, porém, essa média foi ultrapassada em apenas cinco dias: deu um caso por dia durante a folia. Entre o Natal e o réveillon de 2025, em apenas uma semana, outros oito homens passaram pela mesma situação. Enquanto as baterias de escolas de samba e dos blocos dão o ritmo na Sapucaí e nas ruas da cidade, a emergência urológica do hospital entra em outro compasso, onde a fratura peniana — ainda cercada de tabu e silêncio — atinge seu pico.

Dados da Secretaria Municipal de Saúde do Rio (SMS-RJ) mostram que, de 2024 até 8 de fevereiro de 2026, a rede municipal de urgência e emergência fez 571 atendimentos de fratura peniana. O Hospital Municipal Souza Aguiar lidera entre as unidades que mais recebem esses pacientes e se consolidou como referência mundial no tratamento.

— A gente atende fratura peniana o ano inteiro. Mas nos períodos festivos, como carnaval, Natal e férias de verão, o número aumenta de forma evidente. Somos referência estadual em emergência urológica há 25 anos. Já catalogamos mais de 550 casos nesse período. Não é algo que nos surpreenda, mas é algo que preocupa — explica o urologista Leandro Koifman, chefe do setor de Urologia do Souza Aguiar.

Segundo o médico, a primeira coisa que é preciso desmistificar sobre o tema é que pênis não tem osso. Quando falamos em fratura, não estamos falando de um osso quebrado.

— ‎O que se rompe é a túnica albugínea, uma camada fibrosa que envolve os corpos cavernosos, que são as estruturas que se enchem de sangue durante a ereção. É uma ruptura grave, dolorosa e que precisa de cirurgia imediata — esclarece Koifman.

Essa “capa” tem cerca de 2 milímetros quando o pênis está flácido. Em ereção, afina dramaticamente — chega a cerca de 0,25 milímetro.

— Se há um trauma contuso, uma dobra brusca, a pressão interna aumenta muito e ocorre a ruptura. Esse é o conceito de fratura peniana: uma lesão traumática em um pênis ereto — diz o médico.

O quadro clínico é inconfundível. O paciente geralmente descreve a mesma cena ao médico: estava tendo relação sexual, ouviu um estalo, sentiu uma dor intensa e o pênis perdeu a ereção imediatamente. Em seguida, surge um inchaço importante, com deformidade e coloração arroxeada.

— Não é algo imperceptível. É um evento marcante. É o que chamamos de aspecto em "berinjela", um quadro clínico clássico. Quando o paciente conta essa história, praticamente não há dúvida diagnóstica — diz o urologista.

Em alguns casos, a lesão pode ser ainda mais grave, atingindo os dois corpos cavernosos e até a uretra. Segundo o médico, são situações que exigem cirurgia imediata porque, quanto mais cedo operar, menores as chances de complicações como curvatura permanente e disfunção erétil.

Após a cirurgia, a alta costuma ocorrer em 24 horas. Mas há um detalhe que nenhum folião quer ouvir: repouso sexual mínimo de 30 dias — podendo ser maior, dependendo da gravidade.

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