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Belém vai enfrentar calor mais intenso com avanço do verão amazônico e influência do El Niño

Previsão indica temperaturas acima da média a partir de julho, com picos que podem chegar aos 40°C em setembro; especialistas alertam para o efeito combinado entre mudanças climáticas, ilhas de calor e redução das chuvas

Belém vai enfrentar calor mais intenso com avanço do verão amazônico e influência do El Niño
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O verão amazônico de 2026 promete ser mais quente do que o registrado no ano passado em Belém. A combinação entre a influência do fenômeno El Niño, a diminuição das chuvas e a intensificação das ilhas de calor urbanas deve elevar as temperaturas na capital paraense nos próximos meses. Especialistas apontaram que os termômetros poderão registrar máximas próximas dos 40°C em alguns períodos, especialmente entre agosto e setembro.

O aumento do calor já começou a ser sentido pela população, mas a tendência é que os efeitos se tornem mais evidentes a partir de julho, quando tradicionalmente inicia o período mais seco na região. A expectativa é de temperaturas médias em torno de 36°C, acima do que costuma ser observado em anos com condições climáticas consideradas normais.

De acordo com o meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), José Raimundo de Sousa, o cenário está diretamente relacionado ao El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica global e provoca mudanças nos regimes de chuva em diversas partes do mundo.

Na Amazônia Oriental, onde está localizado o Pará, os reflexos costumam ser a redução das precipitações e o aumento das temperaturas. Segundo o especialista, os impactos do fenômeno já começaram a ser observados, mas tendem a se intensificar ao longo do segundo semestre.

“O El Niño já está interagindo com o ambiente, mas veremos seus efeitos com maior intensidade entre agosto e setembro, quando haverá menos chuva e temperaturas ainda mais elevadas”, explicou o meteorologista.

Além da influência climática global, Belém também enfrenta um desafio tipicamente urbano: as chamadas ilhas de calor. O fenômeno ocorre quando áreas altamente urbanizadas acumulam e retêm mais calor devido à grande concentração de asfalto, concreto e edificações, além da escassez de vegetação. Como resultado, as temperaturas permanecem elevadas mesmo durante a noite, reduzindo o conforto térmico da população.

A assessora técnica da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) e doutoranda em Ciência do Desenvolvimento Socioambiental pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA/UFPA), Bárbara Paiva, afirmou que a interação entre o El Niño e as características urbanas da cidade pode tornar o calor ainda mais intenso neste ano.

“As cidades são muito concretadas e asfaltadas. Esse excesso de asfalto e concreto absorve calor durante o dia e o libera lentamente durante a noite. A arborização ajuda justamente a reduzir esse efeito, criando áreas mais frescas e melhorando a circulação do ar”, disse.

O cenário preocupa não apenas pelo desconforto térmico, mas também pelos impactos à saúde pública. As altas temperaturas aumentam os riscos de desidratação, insolação e agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias, especialmente entre idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas. O calor excessivo também pode elevar o consumo de energia elétrica devido ao uso intensificado de ventiladores e aparelhos de ar-condicionado.

Outro efeito esperado é o aumento do risco de queimadas e incêndios florestais. Com menos chuva e vegetação mais seca, áreas urbanas e rurais ficam mais vulneráveis à propagação do fogo, situação que exige atenção redobrada dos órgãos ambientais e de defesa civil.

Para enfrentar os efeitos das ilhas de calor, a Prefeitura de Belém tem investido em ações voltadas à ampliação da cobertura vegetal e à adaptação climática. Entre as principais iniciativas está o programa Belém Mais Verde, que prevê o plantio de um milhão de árvores até o final da atual gestão municipal.

Segundo dados da Semma, mais de 10 mil mudas foram plantadas em 2025. Neste ano, o número já ultrapassa 17 mil árvores distribuídas em diferentes regiões da cidade.

Além da arborização urbana, o município também desenvolve projetos de Sistemas Agroflorestais (SAFs), hortas comunitárias e jardins de chuva. As medidas buscam reduzir os impactos das mudanças climáticas, melhorar a drenagem urbana e aumentar a resiliência da cidade diante de eventos climáticos extremos.

Com a aproximação do período mais seco do ano, a expectativa é de que o calor se torne um dos principais desafios para os moradores da capital paraense. Entre julho e setembro, Belém deverá enfrentar semanas de temperaturas elevadas, exigindo cuidados com hidratação, exposição ao sol e atenção especial aos grupos mais vulneráveis.

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Sergio Manoel

Publicado por:

Sergio Manoel

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