Um trabalhador rural de 65 anos foi resgatado após viver cerca de oito anos em condições análogas à escravidão em uma fazenda localizada dentro da Estação Ecológica Terra do Meio, no município de Altamira, sudoeste do Pará. Segundo as autoridades, ele dividia o alojamento com bois e porcos, não tinha acesso à água potável e sobrevivia em condições extremamente degradantes.

O resgate ocorreu no último dia 14 de julho durante uma operação do Grupo Especial de Fiscalização Móvel, com apoio da Auditoria-Fiscal do Trabalho, Ministério Público do Trabalho (MPT), Polícia Federal e Defensoria Pública da União (DPU). Por causa da dificuldade de acesso à propriedade, a equipe precisou utilizar um helicóptero da Polícia Federal para chegar ao local.

De acordo com a fiscalização, o trabalhador morava em um barraco de madeira sem qualquer estrutura adequada. Ele tomava banho em um rio da região, fazia apenas uma refeição por dia e apresentava sinais de desnutrição.

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Mesmo vivendo sozinho na fazenda, era responsável por diversas atividades, como o manejo dos animais, manutenção da propriedade, conservação da pista de pouso, cultivo de pequenas lavouras para a própria alimentação e vigilância da área.

Durante o período de isolamento, o homem relatou que foi picado por cobras da espécie jararaca, ferroado por arraias e conviveu constantemente com o risco de ataques de onças.

Após o resgate, o empregador foi obrigado a pagar as verbas rescisórias e indenizações devidas ao trabalhador. O caso segue sob investigação dos órgãos competentes, que apuram o crime de submissão de trabalhador a condições análogas à escravidão, previsto no Código Penal Brasileiro.

A fazenda está localizada na Estação Ecológica Terra do Meio, uma unidade de conservação federal situada em Altamira, considerada uma das maiores áreas protegidas da Amazônia brasileira.