João Salame Neto, ex-prefeito de Marabá, é personagem importante das Eleições 2026. Após ser prefeito de Marabá entre 2013 e 2016 - um mandato complicado e impopular, diga-se de passagem - o sempre articulado e inteligente líder viveu anos de ostracismo político e chegou a ser tratado por muitos como alguém que estava fora do jogo.

Porém, João foi um dos primeiros a acreditar no projeto político de Daniel Santos, ex-prefeito de Ananindeua, e se tornou um dos principais articuladores de sua candidatura ao Governo do Pará. Enquanto Daniel construía seu caminho para uma disputa difícil contra o grupo governista, Salame ajudava a abrir portas, aproximar lideranças e ampliar a presença do aliado no interior do estado. Sua atuação na articulação política já era reconhecida durante a pré-campanha.

A vitória de Daniel no domingo (4) muda o lugar de Salame nesse cenário. O ex-prefeito, que durante anos carregou o desgaste de sua administração municipal, agora integra o grupo que assumirá o comando do Pará. Para alguém que chegou a ser considerado politicamente acabado, o resultado representa uma oportunidade concreta de recuperar influência e voltar a participar das grandes decisões.

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João não conseguiu se eleger para mais um mandato como deputado estadual. A ausência de uma cadeira na Assembleia Legislativa, entretanto, não impede que saia fortalecido da eleição. Seu principal ganho político está na vitória do projeto que ajudou a construir e na relação de confiança com o governador eleito. 

João e Daniel Santos
João e Daniel Santos

Embora ainda não haja uma função confirmada no novo governo, a expectativa é que ele tenha espaço no primeiro escalão. João Salame reúne experiência no Executivo, passagem pela Alepa e capacidade de conversar com lideranças de diferentes regiões. Para um governo que precisará construir sua base e manter diálogo com os municípios, esses atributos serão fundamentais.

Sua experiência também alcança Brasília. Entre 2017 e 2018, dirigiu o Departamento de Atenção Básica do Ministério da Saúde. Antes disso, ganhou projeção como deputado estadual e como uma das principais lideranças da campanha pela criação do Estado de Carajás, no plebiscito de 2011. São passagens que ajudam a explicar sua familiaridade com a articulação regional e nacional.

Em política, ostracismo e redenção são palavras vizinhas, que se separam por ciclos. É chegada a hora do ex-prefeito colher os louros de sua inteligência, visão e capacidade de articulação.