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Domingo, 16 de Junho de 2024
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Vale usa material de garrafa PET para reduzir emissão de pó preto

Produto evita a emissão de poeira, reduz o descarte de lixo e gera renda para catadores de material reciclável

Vale usa material de garrafa PET para reduzir emissão de pó preto
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A Vale vai começar a utilizar em escala industrial um supressor de poeira à base de plástico PET na Unidade Tubarão, em Vitória. O novo produto é fruto de 10 anos de pesquisa da empresa em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). O plástico passa por um processo de reciclagem química que o transforma em resina, para ser aplicada em pilhas de minério de ferro e carvão, formando uma película protetora que evita a emissão de poeira.

O supressor de poeira é um controle ambiental comumente usado nas operações da empresa e pode ser feito de várias matérias-primas, como glicerina, mas a produção a partir da reciclagem do plástico é inédita e patenteada pela Vale e pela Ufes. Desde 2013, universidade e empresa realizaram testes e validações técnicas em escalas de laboratório e piloto que atestam a eficiência do produto.

Além de garantir a eficiência no controle ambiental, o supressor sustentável tem potencial para retirar do meio ambiente todos os meses mais de 1 milhão de garrafas PET para a produção no Espírito Santo, que deve chegar a 400 mil litros/mês em 2024. O número pode chegar a até 2 milhões de garrafas em 2026, com a expansão prevista para outras operações, que vai demandar 780 mil litros de supressor no total.

Além de garrafas, o processo de produção do supressor sustentável também é capaz de aproveitar outros materiais considerados de baixa reciclabilidade, como o plástico PET utilizado em bandejas e garrafas de todas as cores, como as pretas de bebidas energéticas, que hoje vão para os aterros sanitários.

“O novo supressor é um exemplo de geração de valor compartilhado, pois oferece benefícios para diversos setores da sociedade: fruto de parceria com a universidade, além de manter a eficiência do controle ambiental e a qualidade do minério, é biodegradável, evita que milhões de garrafas virem lixo e gera renda para catadores de material reciclável”, destaca o diretor de Pelotização da Vale, Rodrigo Ruggiero.

O reitor da Ufes, Paulo Vargas, comemora o resultado da parceria: “Fazer a pesquisa científica se tornar realidade é um dos grandes objetivos que podemos alcançar. Sabemos que a ciência é central para o desenvolvimento econômico e social, e ela se torna efetiva quando encontra parcerias que ajudam a criar condições para que se torne aplicável, entre no circuito produtivo, e alcance a coletividade na forma de melhorias sociais e ambientais. O supressor sustentável, desenvolvido a partir de pesquisas realizadas pelo professor Eloi Alves da Silva Filho, do Departamento de Química da Ufes, em parceria com a Vale, é um exemplo dessa sinergia profícua e multiplicadora, que muito orgulha a nossa universidade”, frisa.

Para viabilizar a produção em larga escala, a Vale apostou no desenvolvimento de fornecedores parceiros com o sublicenciamento da patente. A empresa Biosolvit vai instalar uma fábrica para fornecer o supressor. Para isso, serão investidos cerca de R$ 30 milhões ao longo dos próximos anos.

“É uma enorme satisfação ter sido escolhido como parceiro da Vale neste projeto. O aspecto mais importante é o impacto socioambiental. O reaproveitamento das garrafas PET é de extrema relevância, principalmente, se levarmos em consideração que a degradação desses polímeros ultrapassa os 100 anos. O ganho social também é muito representativo, já que nos dá a oportunidade de contribuir para a geração de renda dos catadores. Para nós, isso torna o projeto magnífico e representa um passo importante em direção a um futuro mais sustentável e ecologicamente consciente”, destaca o CEO da Biosolvit, Guilhermo Queiroz.

A planta da Biosolvit será instalada em Cariacica, em um condomínio destinado à implantação de empresas que atuam na área ambiental. O espaço tem aproximadamente 2,7 mil metros quadrados. Os serviços de terraplanagem e adaptação do espaço já começaram, e a empresa está contratando os equipamentos necessários. A previsão é que a produção local seja iniciada no primeiro semestre de 2024. Até lá, outra empresa, a IQX, situada em São Paulo, vai fornecer o produto para a Vale.

A expectativa é ampliar a operação da Biosolvit com a construção de uma fábrica em Minas Gerais, em local a ser definido por estudos técnicos. “Além da pesquisa e desenvolvimento com a Ufes, desenhamos um modelo de negócios que inclui o ecossistema industrial de inovação, trazendo para a produção empresas com competências complementares às nossas, como a Biosolvit e a IQX, ao mesmo tempo em que promovemos impacto social a partir de contratos de fornecimento da matéria prima entre as associações e produtores. É a nossa transformação cultural na prática”, destaca o gerente de Inovação da Vale, Vinícius Romano.

(Reportagem: es360.com.br)

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