Pesquisadora critica Anvisa após novas regras restringirem acesso à polilaminina

A pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), criticou as novas regras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que restringiram o acesso à polilaminina, substância experimental estudada para o tratamento de lesões na medula espinhal.

Em entrevistas recentes, a cientista se emocionou ao falar sobre o impacto das mudanças para pacientes que aguardam a possibilidade de tratamento. Segundo ela, as novas exigências dificultaram o acesso de pessoas que anteriormente poderiam solicitar a substância por meio do programa de uso compassivo.

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De acordo com a pesquisadora, as regras anteriores permitiam que pacientes com determinadas lesões medulares ocorridas há até 90 dias solicitassem o tratamento. Com as novas exigências, essa janela teria sido reduzida para apenas 72 horas em determinados casos.

Tatiana afirmou que a mudança prejudica pacientes que já estavam na expectativa de conseguir acesso à polilaminina e classificou a decisão como um erro. Durante os relatos, ela chegou a chorar ao mencionar pessoas que perderam a possibilidade de participar do tratamento experimental.

Segundo informações divulgadas pela equipe ligada ao programa, cerca de 500 pacientes aguardariam acesso à substância, enquanto dezenas de solicitações já teriam sido negadas após a mudança dos critérios.

A polilaminina é pesquisada há anos pela equipe da UFRJ como uma possível alternativa para a recuperação de lesões da medula espinhal. Apesar dos resultados obtidos durante as pesquisas, o tratamento ainda é considerado experimental e sua eficácia e segurança continuam sendo avaliadas.

Em janeiro de 2026, a Anvisa autorizou a realização de um estudo clínico de fase 1 para avaliar a segurança da polilaminina em humanos. A primeira etapa prevê a participação de cinco pacientes com lesão completa da medula espinhal torácica ocorrida há menos de 72 horas.

A discussão coloca de um lado pacientes e pesquisadores que defendem maior acesso ao tratamento experimental e, de outro, a necessidade de seguir critérios científicos e regulatórios para garantir a segurança das pessoas submetidas ao procedimento.