Respeitável público, o Gazeta Carajás apurou com exclusividade os valores pagos pela Prefeitura de Canaã para a construção da Praça de Alimentação Benedito Noronha Neto “Mazarope” e de sua cobertura.
O resultado da apuração é surpreendente e levanta questionamentos sobre a lisura do processo: enquanto a construção da praça custou aos cofres públicos R$ 2.496.335,78, a cobertura do espaço, que virou piada nas redes sociais ao ser apelidada de “lona de circo”, foi construída pela bagatela de R$ 3.105.107,83.
O questionamento é óbvio: como um espaço complementar, no caso a cobertura, custa mais caro que toda a estrutura da obra? O fato de o material escolhido para a cobertura ser uma lona, comparada a um circo, vai além das piadas e do mau gosto: plástico e algumas estruturas de ferro custam tão caro assim?
A empresa responsável pela construção da cobertura é a Ribeiro e Silva Engenharia LTDA. As obras tiveram início em meados de 2023 e foram concluídas no início de 2024.
Obra iniciada ainda na antiga gestão, a Praça de Alimentação levou bastante tempo para ficar pronta. Foram quase três anos gastos para concluir o espaço. Depois de pronta, a Prefeitura decidiu construir uma cobertura para a praça – abriu processo licitatório, cumpriu o rito legal e praticamente um ano se passou até que a complementação fosse terminada.
Na próxima segunda-feira, a Prefeitura pretende entregar as chaves dos boxes aos expositores que ficarão no espaço. Na data, os comerciantes também assinarão os contratos de uso dos boxes. No entanto, a cerimônia será realizada na sede da Prefeitura e não no local, pois ainda não há previsão de quando a praça será inaugurada, apesar de a obra já estar pronta.
A Prefeitura de Canaã dos Carajás foi consultada pela reportagem para falar sobre os valores da obra e enviou a seguinte nota:
A Secretaria Municipal de Obras de Canaã dos Carajás informa que não é correto comparar serviços de engenharia diferentes com três anos de distância, principalmente num contexto pós-pandêmico, conforme será explicado a seguir.
As obras de construção da Praça de Alimentação “Mazarope” foram divididas em três etapas.
A primeira fase - de menor custo -, em 2020, visou a construção estrutural do espaço, com uso predominante do material concreto. A segunda foi para aquisição dos quiosques.
A terceira etapa, iniciada em 2023, foi destinada à construção da cobertura, que tem custo mais elevado. A obra teve uso de materiais de aço galvanizado, telas desenvolvidas com proteção contra raios UVA e UVB, estrutura metálica, além da compra de mobiliário composto com mesas e bancos de concreto armado, implementação de paisagismo, iluminação, entre outros serviços.
Deve-se levar em consideração, também, a inflação do período. Conforme o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), entre o orçamento da primeira etapa em 2020 e a tomada de preços para a cobertura em 2023, a variação foi de 32%, impactando significativamente os preços dos materiais. Além disso, os custos relacionados a empregados, despesas e encargos também seguiram em patamares elevados.
Em síntese, tendo em vista a natureza das obras, a primeira relacionada ao piso e estruturas e a segunda vinculada à cobertura e acabamento, somados à elevada inflação e demais custos, justificam-se os valores assim contratados.
O orçamento, a licitação e a contratação dos serviços para a construção da Praça de Alimentação seguiram os princípios da legalidade, levando em consideração os índices de preços sinalizados pelo Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil, entre outros.
A Secretaria Municipal de Obras permanece à disposição da imprensa, sociedade e órgãos fiscalizadores para prestar quaisquer esclarecimentos sobre o caso.
Créditos (Imagem de capa): Diego Barbosa
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