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Investir em Canaã dos Carajás é um bom negócio?

Com receita superior a Dubai, Terra Prometida viu 1.129 empresas fecharem as portas desde 2021. Grandes companhias não minerárias evitam investir no município.

Investir em Canaã dos Carajás é um bom negócio?
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Proporcionalmente, Canaã dos Carajás possui Produto Interno Bruto (PIB) e receita pública superiores a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Tanta grana advém dos projetos minerais, Sossego e principalmente S11D, que empregam milhares de profissionais e entregam aos cofres públicos bilhões em royalties todos os anos.

Os altos valores arrecadados pela Terra Prometida atraem milhares de novos moradores todos os anos. Canaã é a cidade que mais cresceu no Brasil na última década e continua a crescer todos os dias – e a mineração é o grande catalisador deste crescimento populacional.

No entanto, para além das óbvias receitas descomunais e dos valores exorbitantes circulando “na praça”, Canaã vive dilemas e contradições. Grandes empresas de setores não minerários ignoram a Terra Prometida e uma pergunta incômoda paira no ar: investir em Canaã dos Carajás é um bom negócio?

Empresas fechando

Investir em Canaã não é garantia de lucro e muitos empresários estão aprendendo isso na pele.

Entre 2021 e março de 2024, nada menos que 1.129 empresas de vários segmentos fecharam as portas na Terra Prometida.

Empreendedores relatam as dificuldades que vivem: custo elevado da mão de obra, custo elevado de matéria-prima, dificuldades no escoamento de suas produções e os aluguéis, grandes vilões da Terra Prometida.

A história é conhecida: pessoas com certo capital ouvem falar que existe uma terra que emana leite e mel no sudeste do Pará. Daí, trazem ideias para Canaã, investem e depois se deparam com um comércio nem sempre tão aquecido: afinal, parte significativa da população de Canaã não gasta no comércio local.

As dívidas se acumulam e o empresário não suporta manter a empresa aberta. O resto é estatística.

Gargalos logísticos

Sim, Canaã tem uma receita superior a Dubai. No entanto, orçamento público não é, necessariamente, garantia de prosperidade para a população, principalmente quando investimentos não são feitos em áreas cruciais.

Do ponto de vista logístico, Canaã estagnou nos últimos anos por conta do travamento das obras da Transcarajás, que é um sonho dos canaenses. Até hoje, somente 17,5 quilômetros da estrada foram asfaltados e a segunda etapa do projeto, de responsabilidade do governo estadual, está longe de ser concluída.

Por conta disso, o escoamento da produção é dificultado e os planos de que Canaã se tornaria um corredor no sul e sudeste acabam esquecidos. Para quem não sabe, a Transcarajás interligaria Canaã às cidades de Araguaína-TO e Carolina-MA – o que aumenta bastante a competitividade logística de Canaã.

Outro gargalo é a óbvia demora para a implantação do aeroporto canaense. Até hoje, o projeto, que está no PPA da atual gestão, não saiu do papel e virou polêmica nos últimos dias. Não será entregue em 2024 e é quase impossível que esteja pronto em 2025.

Ou seja, sem estradas, sem aeroporto e sem a geografia de águas, Canaã amarga um isolamento, que encarece o custo de vida e afasta grandes empresas.

Ciclos minerários

Além dos problemas logísticos, Canaã não tem economia estável, como qualquer cidade minerária no Brasil.

Recentemente, o município viveu dois ciclos de desmobilização de projetos minerais. Ao fim da implantação do Projeto Sossego, em meados dos anos 2000, milhares de pessoas perderam seus empregos e passaram por dificuldades na Terra Prometida. Levou anos para que o caos social passasse. Àquela época, empresas fecharam as portas por conta de um comércio ruim e milhares precisaram ir embora de Canaã.

Em 2017, ao fim da implantação do S11D, a história se repetiu. Caos social, desemprego, fome, violência e um comércio cambaleante. Só em 2019, com o CFEM mais robusto entrando nos cofres públicos, a cidade se estabilizou com um boom de obras públicas e a expansão do S11D.

Bom investimento ou não?

A resposta é: depende. Por mais que Canaã tenha dificuldades logísticas, viva ciclos problemáticos por conta da dependência da mineração e esteja viciada em bolhas econômicas que não se sustentam, ainda é uma cidade de boas perspectivas.

As receitas advindas da mineração não vão cair, pelo contrário, tendem a aumentar nos próximos anos. Com mais responsabilidade na gestão dos recursos públicos, Canaã pode ganhar investimentos substanciais para resolver a questão logística.

Também é urgente que o poder público, em posse de tamanhas receitas, invista na diversificação econômica do município. Só assim, Canaã terá estabilidade e deixará de sofrer tanto com ciclos minerários.

Antes de vir para Canaã, pequenos empresários devem estudar o mercado local e verificar se o nicho em que investirão já não está saturado, se há população fixa para mantê-lo nos próximos anos e, principalmente, ter capital sobrando para suportar as inevitáveis crises naturais de um município que busca estabilidade.

Já as grandes empresas, indústrias de setores que nada têm a ver com a mineração, não virão para Canaã enquanto o município for uma rua sem saída ou não houver possibilidade pelos céus.

Até lá, a Terra Prometida segue sem ser tão prometida assim, repleta de incertezas sobre o futuro. Hoje, pode até parecer próspera, mas amanhã não se sabe.

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Kleysykennyson Carneiro

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