O brasileiro comum espera o fim do ano ansiosamente para reencontrar familiares, amigos, celebrar o milagre da existência e desfrutar de um merecido descanso após um ano cheio de muito trabalho. As programações são as mesmas de sempre: viagens, festas e memórias familiares. No entanto, a realidade de professores da Faculdade de Canaã dos Carajás (FAC) é bem diferente da realidade dos demais trabalhadores brasileiros e muita gente está passando o fim de ano sem um centavo no bolso.
Segundo denúncias recebidas pela reportagem, a FAC não paga professores desde o mês de novembro. De acordo com o informado pelos profissionais, os valores em aberto se acumularam e há um medo crescente de um calote por parte da empresa.
Segundo eles, a instituição vinha honrando os compromissos financeiros. No entanto, as coisas mudaram quando o mês de outubro chegou. Desde então, os proventos não vêm sendo devidamente depositados e uma crise se instaurou no lar dos educadores. Apesar dos atrasos, os trabalhadores não abandonaram seus postos e continuaram a ministrar aulas de seus respectivos cursos. Importante destacar que os valores referentes a outubro foram pagos com atraso, mas, desde então, ninguém viu mais a cor do dinheiro.
O mês de dezembro chegou e mais uma vez não houve pagamento. A FAC pouco falou sobre o caso, apenas informou que até 20 de dezembro os proventos de novembro seriam depositados em conta. A data chegou e nada. Silêncio total da faculdade e desespero por parte dos profissionais, que até chegam a cogitar a possibilidade da instituição estar falindo.
Vicente Albuquerque, professor dos cursos de Direito e Enfermagem, falou à reportagem e não esconde a frustração com o caso. “Todos os alunos já pagaram tudo, os meses de novembro e dezembro, e a gente está sem receber. Já fechou o ano deles e eles não fizeram o repasse. Nossa reinvindicação é a falta de comunicação deles com a gente. A situação está a Deus-dará, ninguém fala nada.”
Outra professora do curso de Enfermagem, Erica Santos, também falou à reportagem. A instituição deve a ela uma significativa quantia, mas o silêncio segue. “Eles não dão sinais de vida. Estamos sem receber desde novembro. A gente manda mensagem e eles não respondem, não falam nada, fingem que não existimos.”
Uma outra educadora da instituição, que pediu para ter a identidade preservada por medo de represálias, explicou a situação. “No mês passado também tivemos problemas para receber pagamentos. Nossa salário referente às aulas ministradas ficou certo para ser pago no dia 20 de cada mês, porém desde outubro vem tendo atrasos. Dia 21 falaram que iam pagar até o final do dia, mas não pagaram e não disseram mais nada. Só estamos lá por conta dos alunos, que não têm culpa.”
A professora informou ainda que a turma do 4º período de enfermagem já informou que só fará a rematrícula para 2024 quando resolverem a situação dos professores.
A coordenação da FAC foi procurada pela reportagem há dois dias. A instituição afirmou que mandaria nota explicando os fatos, mas até o momento não falou nada. A coordenação também não atendeu aos telefonemas feitos para solicitar informações.
A única resposta que a reportagem obteve por parte da coordenação foi a de que a empresa não está falida. O espaço segue aberto para explicações por parte da empresa.
Créditos (Imagem de capa): Foto aérea de Canaã dos Carajás: Kaytho Mendonça
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