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Domingo, 16 de Junho de 2024
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Análise: alianças políticas no sul e sudeste do Pará são fatalidade do sistema eleitoral

Amizade e Val Bispo ensaiam união em Novo Repartimento para derrotar Valdir Lemes em 2024. Na hora do processo democrático, alianças para chegar ao poder se sobrepõem a convicções pessoais

Análise: alianças políticas no sul e sudeste do Pará são fatalidade do sistema eleitoral
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A região sul e sudeste do Pará assiste a mais um ciclo político se afunilar e se aproximar de seus instantes decisivos. Ao todo, 39 municípios da região escolherão prefeitos e vereadores em 2024 e diversos movimentos estratégicos para garantir quatro anos no poder já podem ser vistos. Mas poucas coisas chamam tanto atenção nos processos eleitorais como as alianças políticas. Absurdas, improváveis, convenientes e, às vezes, apocalípticas, a união de grupos políticos em torno de um projeto maior nunca decepciona.

No último final de semana, em Novo Repartimento, município que teve uma das eleições mais apertadas do Brasil em 2020, uma nova aliança começa a se formar e tudo indica que poderá render bons frutos na disputa do próximo ano. Amizade (MDB), que foi prefeito de Novo Repartimento entre os anos de 2017 e 2020, e Val Bispo (PL), que ficou em segundo em 2020 por apenas 450 votos, estão cada vez mais próximos e ensaiam uma união para tentar destronar Valdir Lemes (PSD), atual prefeito do município.

Em 2020, Val e Amizade tiveram juntos quase 19 mil votos. Para ser eleito, Valdir Lemes obteve 10.542 votos. Se a dupla que ensaia a aliança conseguir manter pelo menos 55% de seu eleitorado das últimas eleições, terão condições de vencer o atual mandatário.

Adversários em 2020, Val e Amizade são de partidos diferentes, com propósitos diferentes. Val foi opositor do governo de Amizade, tanto que disputou uma eleição contra ele. Mas os dois possuem algo em comum: o desejo pelo poder.

Este desejo é o que movimenta a política em todo o mundo. Quem faz política e não gosta do poder, não sobrevive ao meio, não se cria, é engolido pelos que gostam. Val e Amizade têm o objetivo em comum de alcançar o cargo máximo do executivo em Repartimento e isso os une mais do que qualquer outra coisa.

Em nome de um projeto em comum, os dois estão dispostos a trabalhar juntos e vencer as eleições. Ainda é muito cedo para se apontar quem encabeçaria a chapa, mas, se vencerem Valdir, ambos reinarão e isso, ao fim, é o bastante. É melhor ter um poder dividido do que não ter poder algum.

As alianças na política são uma fatalidade do nosso sistema eleitoral, uma consequência da democracia. Elas são feitas, desfeitas, refeitas e nascem sempre que necessárias para um objetivo comum entre partes diferentes. Às vezes, há êxito. Às vezes, não. No entanto, sempre existirão e estão sendo articuladas a todo momento.

Há outros exemplos no sul e sudeste do Pará: em Parauapebas, nomes da direita, como Aurélio Goiano, Júlio César e Dr. Felipe, posaram recentemente com os ex-prefeitos Valmir Mariano e Chico das Cortinas. Os direitistas, que sempre criticam o suposto “sistema” se unem a dois nomes que já foram eleitos pelo tal sistema. Alianças. Democracia. Os interesses em comum se sobrepõem a convicções pessoais.

Em Redenção, o atual prefeito Marcelo Borges (PSD), diante da força da direita no município, está unido com o deputado federal Joaquim Passarinho. O parlamentar até transferiu o título de eleitor para Redenção e visa a política do ano que vem. Assim, Marcelo, que não pode tentar a reeleição, protege seu grupo político e afasta a força da oposição.

Alianças são positivas do ponto de vista das possibilidades permitidas pela democracia. Não há melhor sistema que o democrático e seus caminhos, ainda que tortuosos às vezes, são nossa melhor alternativa.

Ao longo da história, eventos políticos catastróficos poderiam ter sido evitados caso algumas alianças fossem feitas. Um exemplo clássico é a Alemanha de Hitler.

Os comunistas e os sociais-democratas tinham quantidade suficiente de parlamentares para se opor ao crescimento do partido de Hitler. No entanto, ambos eram tão inimigos entre si que jamais se uniram para barrar a escalada de Hitler pelo poder. O resultado dramático todos já sabem: uma das maiores tragédias da humanidade.

Não se pode demonizar alianças políticas. Tal movimento é algo intrínseco à democracia. Se os resultados serão bons ou ruins, é outra história, mas nada supera a importância de se preservar a essência de um estado democrático de direito.

 

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Kleysykennyson Carneiro

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Kleysykennyson Carneiro

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