É oficial! Gourmetizaram até a pobreza de espírito do babão na política.
Nos Tik Toks da vida, nos shorts do YouTube, na descartabilidade dos reels no Instagram e até nas esquinas da cidade, o babão virou celebridade. Se antes havia da nossa parte nojo e até asco de quem dedicava a vida a puxar o saco de quem está no poder, hoje rimos com eles (não deles) e, em certa medida, até chegamos a admirar a vida que levam – fruto da inglória missão de babar, defender até o indefensável e elogiar a obrigação de um agente público: o trabalho.
Perguntas do tipo “será que já almoçou”, “será que tá na sombra?”, “será que tá seguro?” não expressam preocupação com a saúde ou bem estar do prefeito ou da prefeita, mas sim com a própria mamata. A gente até ri, já que a comédia é uma equação simples da tragédia + tempo, mas não deveria. Gourmetizar o babão é aceitar que a máquina pública não é gerida por pessoas competentes, mas sim por quem está disposto a ir mais longe para puxar o saco.
O babão não é novidade dos tempos modernos, pelo contrário. Desde sempre há quem defenda e celebre as mais horrendas atrocidades praticadas por imperadores e imperatrizes, mas é a primeira vez na história que ser babão se tornou profissão digna de aplausos e risos.
Enquanto rimos, aplaudimos e até desejamos a vida do babão, esquecemos do quão vazia é a existência deste. Imagine o estômago de quem depende exclusivamente da máquina pública e dos esforços da própria “puxação de saco” para viver. E o mais grave: o babão nada faz de graça – ele recebe algo em troca, o suficiente para não ter dignidade, o suficiente para dar prejuízo ao erário público. Ah, nota de rodapé: não confundir babão com apoiador.
A nós, o questionamento: é engraçado, de fato, as atitudes do babão? Aos políticos, a reflexão: quem puxa saco, puxa tudo. Inclusive o tapete.
Créditos (Imagem de capa): Geovan Benjoin
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